quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Capitulo XXIV - Frank






FRANK GOLPEOU COM SUA LANÇA PARA TRÁS E PARA FRENTE.
— Para trás! — Sua voz soou estridente. — Eu tenho... hm... incríveis poderes... E essas coisas.
Os basiliscos sibilaram, os três em harmonia. Talvez estivessem rindo.
A ponta da lança era quase pesada demais para levantar agora, como se o triângulo branco de osso estivesse tentando tocar a terra. Então, alguma coisa veio na cabeça de Frank: Marte disse que a ponta da lança era um dente de dragão. Não tinha alguma história sobre dentes de dragão plantados na terra? Alguma coisa que ele leu na aula de monstros do acampamento...?
Os basiliscos deram voltas nele, tomando seu tempo. Talvez estivessem hesitantes por causa da lança. Ou talvez só não pudessem acreditar como Frank era estúpido.
Parecia loucura, mas Frank deixou a ponta da lança cair. Ela afundou na terra. Crack. Quando levantou a lança, a ponta tinha sumido – quebrada dentro da terra.
Maravilhoso. Agora ele tinha um palito de ouro.
Alguma parte louca dele queria liberar sua parte incendiária. Se ele fosse morrer de qualquer jeito, talvez pudesse começar um incêndio enorme – incinerar os basiliscos, então pelo menos os amigos dele poderiam escapar.
Antes que ele reunisse coragem, a terra tremeu sob os seus pés.
Poeira levantou para todo lado, e a mão de um esqueleto agarrando o ar surgiu. Os basiliscos sibilaram e recuaram. Frank não podia culpá-los. Assistiu horrorizado enquanto um esqueleto humano se arrastava para fora da terra. E foi ganhando carne como se alguém estivesse colocando gelatina nos seus ossos e cobrindo com pele cinza transparente e brilhante. Então, roupas fantasmagóricas o envolveram – camisa regata, calças camufladas e botas de exército. Tudo na criatura era cinza: Roupas cinza em carne cinza em ossos cinza.
Ele virou-se para Frank. Seu crânio sorrindo sob um rosto cinzento inexpressivo. Frank estava ganindo como um cachorrinho. Suas pernas tremiam tanto que ele tinha que se sustentar com o cabo da lança. O guerreiro esqueleto estava esperando, Frank percebeu – esperando ordens.
— Mate os basiliscos! — ele gritou. — Não eu!
O guerreiro esqueleto entrou em ação. Ele agarrou a cobra mais próxima, e embora sua carne cinzenta começasse a queimar em contato com ela, estrangulou o basilisco com a mão e largou seu corpo mole. Os outros basiliscos sibilaram com raiva. Um saltou em Frank, mas ele o acertou de lado com a coronha da lança.
A outra cobra soltou fogo direto no rosto do esqueleto. O guerreiro marchou e pisou na cabeça do basilisco. Frank virou para o último basilisco, que estava enrolado na borda da clareira os estudando. A lança de ouro imperial de Frank estava fumegando, mas ao contrário do seu arco, não parecia estar se desintegrando com o toque do basilisco. O pé direito e a mão do guerreiro esqueleto estavam lentamente se dissolvendo por causa do veneno. E a sua cabeça estava pegando fogo. Fora isso, ele parecia muito bem.
O basilisco fez a coisa mais esperta. Fugiu. Em um momento de emoção, o esqueleto puxou algo da sua camisa e arremessou pela clareira, empalando o basilisco. Frank pensou que fosse uma faca. Então ele percebeu que era uma das costelas do esqueleto.
Frank estava muito feliz por seu estômago estar vazio.
— Aquilo... aquilo foi nojento.
O esqueleto pulou em cima do basilisco. Pegou a sua costela e usou para cortar a cabeça da criatura. O basilisco se dissolveu em cinzas. Então o esqueleto decapitou a carcaça dos outros dois monstros e chutou as cinzas para dispersá-las. Frank se lembrou das duas górgonas no Tibre – o jeito que o rio espalhou os restos delas para impedi-las de se refazerem.
— Você está se certificando que elas não voltem — Frank percebeu. — Ou retardando-as, pelo menos.
O guerreiro esqueleto ficou prestando atenção em Frank. Seu pé e mão envenenados estavam quase destruídos. Sua cabeça continuava queimando.
— O que... O que é você? — Frank perguntou. Ele queria adicionar: Por favor, não me machuque.
O esqueleto o saudou com a mão. Então começou a desmoronar, afundando de volta no chão.
— Espere! — Frank disse. — Eu nem sei como te chamar! Homem-dente? Ossos? Cinza? — Com o seu rosto desaparecendo na terra, o guerreiro pareceu rir no último nome – ou talvez fossem só os seus dentes do crânio aparecendo. Então ele se foi, deixando Frank sozinho com sua lança sem ponta.
— Cinzento — ele murmurou. — Ok... mas...
Ele examinou a ponta da lança. Um novo dente de dragão estava começando a crescer na ponta dela.
Você tem três cargas, Marte havia dito, então use sabiamente.
Frank escutou passos atrás deles. Percy e Hazel correram para a clareira. Percy parecia melhor, exceto que estava carregando uma bolsa colorida da A.C.O.E.V., estilo anos 60, definitivamente, não o seu estilo. Contracorrente estava em sua mão. Hazel tinha sacado sua spatha.
— Você está bem? — perguntou.
Percy deu uma volta, procurando por inimigos.
— Íris nos disse que você estava aqui lutando com os basiliscos sozinho, e a gente ficou tipo, O quê? Nós viemos o mais rápido que conseguimos. O que aconteceu?
— Eu não tenho certeza — Frank admitiu.
Hazel agachou perto da poeira onde Cinzento desapareceu.
— Eu sinto morte. Ou meu irmão esteve aqui ou... os basiliscos estão mortos?
Percy o encarou com admiração.
— Você matou-os todos?
Frank engoliu em seco. Ele já se sentia bastante perturbado sem tentar explicar seu ajudante morto-vivo.
Três cargas. Frank poderia chamar Cinzento mais duas vezes. Mas ele sentiu maldade no esqueleto. Ele não era um mascote, era um vicio, a força assassina dos mortos-vivos, mal controlados pelo poder de Marte. Frank teve a sensação de que ele faria o que dissesse – mas se os seus amigos estivessem na linha de fogo... se Frank demorasse para lhe dar ordens, ele poderia começar a matar tudo no seu caminho, incluindo seu mestre.
Marte tinha dito a ele que a lança lhe daria tempo até ele aprender a usar os poderes da mãe. O que significava que Frank precisava aprender a usar esses talentos – rápido.
— Muito obrigado, pai — resmungou.
— O quê? — Hazel perguntou. — Frank, você está bem?
— Explico mais tarde — ele disse. — Agora, tem um homem cego em Portland que nós temos que ver.