quinta-feira, 17 de outubro de 2013

XXIX - Percy







PERCY NÃO ESTAVA SE SENTINDO AFETUOSO.
Já era muito ruim ter sido posto para correr de Atlanta por malignos deuses do mar. Depois disso, não conseguiu deter o ataque do camarão gigante ao Argo II. Em seguida, os Ichthyocentauros, meio-irmãos de Quíron, nem sequer quiseram se encontrar com ele. Após tudo isso, eles haviam chegado às Colunas de Hércules e Percy teve que ficar a bordo do navio enquanto o chefão Jason visitou o seu meio-irmão. Hércules, o semideus mais famoso de todos os tempos e Percy não pode conhecê-lo também.
Ok, tudo bem, pelo que Piper contou, Hércules era um idiota, mas ainda assim... Percy estava ficando um pouco cansado de ficar a bordo do navio e andar de um lado para o outro no convés.
O mar aberto deveria ser seu território. Percy deveria se apresentar, assumir o comando e manter todos em segurança. Em vez disso, por todo o caminho através do Atlântico, ele tinha feito praticamente nada, exceto conversar um pouco com tubarões e ouvir o treinador Hedge cantar musicais de TV.
Para piorar a situação, Annabeth tinha estado distante desde que eles tinham deixado Charleston. Ela passou a maior parte de seu tempo em sua cabine, estudando o mapa de bronze que tinha recuperado de Fort Sumter ou buscando informações no laptop de Dédalo. Sempre que Percy arrumava um tempo para vê-la, ela estava tão perdida em pensamentos que a conversa era desta forma:
— Ei, como vai?
— Uh, não, obrigado.
— Tudo bem... Você já comeu alguma coisa hoje?
— Eu acho que Leo está de plantão. Pergunte a ele.
— Então, meu cabelo está em chamas.
— Tudo bem. Daqui a pouco.
Ela ficava assim às vezes. Este era um dos desafios de namorar uma filha de Atena. Ainda assim, Percy se perguntou o que tinha de fazer para chamar sua atenção. Ele estava preocupado com ela depois de seu encontro com as aranhas em Fort Sumter e não sabia como ajudá-la, especialmente se ela o expulsasse.
Depois de deixar as Colunas de Hércules – ilesos, exceto por alguns cocos alojados na blindagem de bronze do casco - o navio viajou através dos céus por algumas centenas de quilômetros.
Percy esperava que as antigas terras não fossem tão ruins quanto eles ouviram. Mas era quase como um comercial: Você vai notar a diferença imediatamente! Várias vezes por hora, algo atacava o navio. Um bando pássaros da Estinfália comedores de carne voava pelo céu noturno enquanto Festus os incendiava. Espíritos de tempestade rodaram em torno do mastro e Jason os explodiu com um raio. Enquanto o treinador Hedge estava jantando na proa, um pégaso selvagem apareceu do nada, correu sobre as enchiladas do treinador e voou novamente, deixando pegadas bregas de casco em todo o convés.
— O que foi isso? — O treinador exigiu.
A visão do pégaso fez Percy desejar que Blackjack estivesse ali. Ele não via seu amigo havia dias. Tempestade e Arion também não apareceram. Talvez eles não quisessem se aventurar no Mediterrâneo. Se fosse isso, Percy não podia culpá-los.
Finalmente, por volta da meia-noite, após o nono ou décimo ataque aéreo, Jason virou-se para ele.
— Que tal você dormir um pouco? Eu vou manter esse lance de rajadas de vento o máximo que eu puder. Então, podemos ir pelo mar por um tempo e você pode voltar ao comando.
Percy não tinha certeza se ele seria capaz de dormir com o balanço do barco através das nuvens como se fosse balançado por espíritos do vento com raiva, mas a ideia de Jason fazia sentido. Ele foi para baixo e caiu na sua cama.
Seus pesadelos, é claro, não eram nada confortáveis. Sonhou que estava em uma caverna escura. Ele só podia ver alguns metros à frente, mas o espaço deveria ser grande. Água pingava de algum lugar próximo e o som ecoou nas paredes distantes. A forma como o ar se movia fez Percy suspeitar que o teto da caverna estava muito, muito acima.
Ele ouviu passos pesados e os gêmeos gigantes Efialtes e Oto saíram da escuridão. Percy pôde distingui-los apenas por seus cabelos – Efialtes tinha as tranças verdes entrelaçadas com moedas de prata e ouro; Oto tinha o rabo de cavalo roxo trançado com... Eram fogos de artifício?
Fora isso, eles estavam vestidos de forma idêntica, e suas roupas definitivamente pareciam um pesadelo. Eles usavam combinações de calças brancas e camisas douradas de pirata com decote em V que mostravam peitos excessivamente cabeludos. Uma dúzia de punhais afiados estava alinhado em seus cintos com joias incrustadas. Seus calçados eram sandálias de dedo, provando que – sim, de fato – eles tinham cobras ao invés de pés. As tiras eram enroladas nos pescoços das serpentes. Suas cabeças serpenteavam por onde os dedos deveriam estar. As cobras sacudiam suas línguas animadamente e viravam os olhos de ouro em todas as direções, como cães olhando para fora da janela de um automóvel. Talvez fizesse bastante tempo desde que eles usaram calçados com vista.
Os gigantes ficaram na frente de Percy, mas não lhe deram atenção. Em vez disso, olhavam para a escuridão.
— Nós estamos aqui — Efialtes anunciou.
Apesar de sua voz potente, suas palavras dissiparam através da caverna, ecoando até soar baixa e insignificante. Muito acima, algo respondeu:
— Sim. Posso perceber isso. Esses equipamentos são difíceis de não ver.
A voz fez o estômago de Percy despencar cerca de seis polegadas. Parecia vagamente feminina, mas não totalmente humana. Cada palavra era um silvo ilegível em tons múltiplos, como se um enxame de abelhas africanas assassinas tivessem aprendido a falar inglês em uníssono.
Não era Gaia. Percy tinha certeza disso. Mas o que quer que fosse, deixava os gêmeos gigantes nervosos. Eles trocaram suas cobras de apoio e balançaram a cabeça respeitosamente.
— É claro, Sua Senhoria — disse Efialtes. — Trazemos notícias de...
— Por que vocês estão vestidos assim? — perguntou a coisa no escuro.
Ela não parecia estar chegando mais perto, o que Percy achava ótimo.
Efialtes olhou irritadamente para seu irmão.
— Meu irmão deveria vestir algo diferente. Infelizmente...
— Você disse que eu seria o atirador de adagas hoje — Oto protestou.
— Eu disse que eu era o atirador de adagas! Você deveria ser o mágico! Ah, me perdoe, Sua Senhoria. Você não quer nos ouvir discutindo. Viemos como pediu, para trazer-lhe a notícia. O navio está se aproximando.
Sua Senhoria, ou o que quer ela fosse, fez uma série de assobios violentos, como um pneu sendo cortado repetidamente. Estremecendo, Percy percebeu que ela estava rindo.
— Quanto tempo? — ela perguntou.
— Eles devem desembarcar em Roma pouco depois do amanhecer, eu acho — Efialtes especulou. — É claro que terão que passar pelo menino dourado.
Ele zombou, como se o menino dourado não fosse sua pessoa favorita.
— Espero que cheguem com segurança — disse Sua Senhoria. — Estragaria a nossa diversão se eles fossem capturados muito cedo. Seus preparativos estão prontos?
— Sim, Sua Senhoria — Oto avançou, e a caverna tremeu.
Uma fissura apareceu sob as cobras esquerdas de Oto.
— Cuidado, seu idiota! — Sua Senhoria rosnou. — Você quer voltar para o Tártaro da maneira mais difícil?
Oto recuou, seu rosto cheio de terror. Percy percebeu que o chão, que parecia pedra sólida, era mais como uma geleira do Alasca: em alguns lugares sólidos, em outros... Nem tanto. Ele estava feliz por não ter peso em seus sonhos.
— Há pouca coisa sustentando este lugar — Sua Senhoria advertiu — a não ser, é claro, minha própria habilidade. Séculos de raiva por Atena não podem ser contidos totalmente, e a grande Mãe Terra se agita abaixo de nós em seu sono. Entre essas duas forças, bem... O meu ninho está bastante desgastado. Vamos esperar que essa filha de Atena se prove uma vítima digna. Ela pode ser o meu último brinquedo.
Efialtes engoliu em seco. Ele manteve os olhos sobre a rachadura no chão.
— Logo não importará, Sua Senhoria. Gaia irá ascender e todos nós seremos recompensados. Você não vai mais ter que ficar de guarda neste lugar ou manter suas obras escondidas.
— Talvez — disse a voz no escuro — mas vou sentir falta da minha doce vingança. Temos trabalhado bem em conjunto ao longo dos séculos, não temos?
Os gêmeos se curvaram. As moedas brilhavam no cabelo Efialtes e Percy percebeu com nauseante certeza de que algumas delas eram dracmas de prata, exatamente como a que Annabeth tinha ganhado de sua mãe. Annabeth tinha dito a ele que, em cada geração, alguns filhos de Atena eram enviados em uma missão para recuperar a estátua desaparecida do Parthenon. Ninguém jamais conseguiu.
Temos trabalhado bem em conjunto ao longo dos séculos...
O gigante Efialtes tinha centenas de moedas em suas tranças – centenas de troféus. Percy retratou Annabeth em pé neste lugar escuro, sozinha. Imaginou o gigante tomando a moeda que ela possuia e adicionando à sua coleção. Percy queria invocar a sua espada e dar ao gigante um corte de cabelo começando no pescoço, mas ele estava impotente para tomar ações. Ele só podia assistir.
— Uh, Sua Senhoria — Efialtes disse nervosamente. — Gostaria de lembrar que Gaia quer que a menina seja capturada viva. Você pode atormentá-la. Deixá-la louca. Tudo o que quiser, é claro. Mas seu sangue deve ser derramado sobre as pedras antigas.
Sua Senhoria assobiou.
— Outros podem ser utilizados para esse efeito.
— S-sim. — Efialtes respondeu — mas essa menina é a preferida. E o menino, o filho de Poseidon. Você entende porque os dois são os mais adequados para a tarefa.
Percy não sabia o que isso significava, mas ele queria rachar o chão e banir esses estúpidos gêmeos de camisa dourada para a parte mais profunda. Ele nunca deixaria Gaia derramar seu sangue para qualquer tarefa e de jeito nenhum deixaria alguém machucar Annabeth.
— Veremos — Sua Senhoria resmungou. — Agora me deixem. Verifiquem seus próprios preparativos. Vocês vão ter o seu espetáculo. E eu... eu vou trabalhar na escuridão.
O sonho dissolveu e Percy acordou com um sobressalto.
Jason estava batendo em sua porta aberta.
— Nós estamos de volta à água — ele anunciou, parecendo exausto. — Sua vez.
Percy não queria, mas acordou Annabeth. Ele achou que mesmo o treinador Hedge não se importaria de falarem após o toque de recolher se isso significava dar-lhe informações que pudessem salvar sua vida. Eles estavam no convés, sozinhos, exceto por Leo, que ainda estava manejando o leme. O cara deveria estar quebrado, mas se recusou a ir dormir.
— Eu não quero mais nenhuma surpresa como o Camarãozilla — insistiu ele.
Todos tentaram convencer Leo que o ataque do Skolopendra não tinha sido inteiramente culpa dele, mas ele não quis ouvir. Percy sabia como ele se sentia. Não perdoar a si mesmo pelos erros cometidos é um dos melhores talentos de Percy.
Era por volta das quatro da manhã. O tempo estava horrível. O nevoeiro era tão denso que Percy não podia ver Festus no final da proa e o vapor quente pairava no ar como uma cortina de contas. Conforme avançavam uns 6 metros, com o mar sacudindo abaixo deles, Percy podia ouvir a pobre Hazel em sua cabine... Também sacudindo. Apesar de tudo, Percy era grato por estar de volta à água. Era preferível a voar através de nuvens de tempestade e serem atacados por pássaros comedores de homens e pégasos que pisoteavam enchilhadas.
Ele ficou com Annabeth no trilho da frente enquanto contava sobre seu sonho. Percy não tinha certeza de como ela recebeu a notícia. Sua reação foi ainda mais preocupante do que ele havia antecipado: ela não parecia surpresa.
Ela olhou para a névoa.
— Percy, você tem que me prometer uma coisa. Não diga aos outros sobre este sonho.
— Não dizer o quê? Annabeth...
— O que você viu foi sobre a Marca de Atena. Não vai ajudar que os outros saibam. Só irá fazer com que se preocupem e vai tornar mais difícil para mim quando estiver por conta própria.
— Annabeth, você não pode estar falando sério. Essa coisa no escuro, a grande câmara com o chão desmoronando...
— Eu sei — seu rosto parecia estranhamente pálido e Percy suspeitou que não fosse apenas nevoeiro. — Mas eu devo fazer isso sozinha.
Percy engoliu sua raiva. Ele não tinha certeza se estava bravo com Annabeth, com seu sonho ou com o mundo grego/romano inteiro que tinha resistido e moldado à história humana por cinco mil anos, com um objetivo em mente: tornar a vida de Percy Jackson tão ruim o quanto possível.
— Você sabe o que está nessa caverna — ele adivinhou. — Isso tem a ver com aranhas?
— Sim — ela sussurrou.
— Então, como é que você vai... — ele se fez parar.
Se Annabeth tivesse decidido não discutir com ele, de nada adiantaria. Ele lembrou-se da noite três anos e meio atrás, quando tinha salvado Nico e Bianca di Angelo no Maine. Annabeth tinha sido capturada pelo titã Atlas. Por um tempo, Percy não tinha certeza se ela estava viva ou morta. Ele viajou por todo o país para salvá-la do titã. Estes tinham sido os poucos dias mais difíceis de sua vida e não apenas pelos monstros e os combates, mas a preocupação.
Como ele poderia intencionalmente deixá-la ir agora, sabendo que ela estava caminhando para algo ainda mais perigoso? Então, ficou claro para ele: a maneira como ele se sentia naquela época, por alguns dias, era provavelmente como Annabeth tinha se sentido nos últimos seis meses em que ele esteve perdido com amnésia.
Isso o fez se sentir culpado, e um pouco egoísta, de estar discutindo com ela. Ela tinha que ir nessa missão. O destino do mundo podia depender dela. Mas parte dele queria dizer: Esqueça o mundo. Ele não queria ficar sem ela.
Percy olhou para o nevoeiro. Não conseguia ver nada à sua volta, mas tinha orientações perfeitas no mar. Sabia qual a sua latitude e longitude. Sabia qual a profundidade do oceano e em qual sentido as correntes seguiam. Sabia qual a velocidade do navio e podia sentir que não havia pedras, bancos de areia ou outros perigos naturais em seu caminho. Ainda assim, a cegueira era inquietante.
Eles não haviam sido atacados uma vez que tinham tocado a água, mas o mar parecia diferente. Percy esteve no Atlântico, no Pacífico, até no Golfo do Alasca, mas este mar parecia mais antigo e poderoso. Ele podia sentir suas camadas se revolvendo abaixo dele. Cada herói, grego ou romano, navegou nestas águas – de Hércules a Enéias. Monstros ainda viviam nas profundezas, tão profundamente envoltos na Névoa que eles dormiram a maior parte do tempo, todavia Percy podia senti-los se agitando, respondendo ao casco de Bronze Celestial do trirreme grego e a presença do sangue de semideuses.
Eles estão de volta, os monstros pareciam dizer. Finalmente sangue fresco.
— Nós não estamos muito longe da costa italiana — disse Percy, principalmente para quebrar o silêncio. — Talvez umas cem milhas náuticas da foz do Tibre.
— Bom. Ao amanhecer, devemos...
— Parar — Percy sentiu com se sua pele tivesse sido banhada em gelo. — Nós temos que parar.
— Por quê? — Annabeth perguntou.
— Leo, pare! — Gritou.
Tarde demais. Outro barco surgiu da neblina e colidiu de frente com eles. No que se passaram segundos, Percy registrou detalhes aleatórios: outro trirreme; velas negras pintadas com uma cabeça de górgona; guerreiros desproporcionais, não muito humanos, lotando a parte da frente do barco com armaduras gregas, espadas e lanças prontas; e um carneiro de bronze no nível da água, batendo contra o casco do Argo II.
Annabeth e Percy quase foram jogados ao mar.
Festus soprava fogo, mandando mais de uma dúzia de guerreiros, muito surpresos, gritando para um mergulho no mar, porém mais invadiram o Argo II. Amarando cordas em volta dos trilhos e do mastro, cavando talhos em tábuas do casco.
No momento em que Percy tinha se recuperado, o inimigo estava em toda parte. Ele não podia ver bem através da neblina e da escuridão, mas os invasores pareciam ser golfinhos humanoides, ou humanos com cara de golfinho. Alguns tinham focinhos cinzentos. Outros seguravam suas espadas com nadadeiras atrofiadas. Alguns bamboleavam em pernas parcialmente fundidas, enquanto outros tinham nadadeiras ao invés de pés, o que lembrava sapatos palhaço para Percy.
Leo soou o alarme. Ele correu para a balista mais próxima, mas caiu sob uma pilha de tagarelantes guerreiros golfinhos.
Annabeth e Percy estavam de costas um para o outro, como tinham feito muitas vezes antes, suas armas em punho. Percy tentou convocar as ondas, esperando que pudesse empurrar os navios para longe ou até mesmo virar o navio inimigo, mas nada aconteceu. Era quase como se algo estivesse sobrepondo sua vontade, tirando o seu controle do mar.
Ele levantou Contracorrente, pronto para lutar, mas eles estavam irremediavelmente em desvantagem. Várias dezenas de guerreiros baixaram as lanças e fizeram um círculo em torno deles, sabiamente mantendo distância da espada de Percy. Os homens golfinhos abriram suas bocas e assobiaram, fazendo ruídos crepitantes. Percy nunca tinha considerado como os dentes de golfinhos pareciam hipnotizantes.
Ele tentou pensar. Talvez pudesse sair do círculo e destruir alguns invasores, mas não sem antes de os outros espetarem ele e Annabeth. Pelo menos os guerreiros não pareceram interessados em matá-los imediatamente. Eles mantiveram Percy e Annabeth contidos enquanto mais de seus companheiros inundavam o convés abaixo e asseguravam o casco. Percy podia os ouvir as portas das cabines quebrando e brigas com seus amigos. Mesmo se os outros semideuses não estivessem dormindo, eles não teriam chance contra tantos.
Leo foi arrastado pelo convés, semiconsciente e gemendo, e despejado sobre uma pilha de cordas. Abaixo, os sons de luta diminuíram. Ou os outros também tinham sido subjugados ou... ou... Percy se recusou a pensar sobre isso.
De um lado do ringue de lanças, os guerreiros golfinhos se separaram para deixar alguém passar. Ele parecia ser plenamente humano, mas da forma como os golfinhos recuaram diante dele, ele era claramente o líder. Estava vestido com armadura de combate grega – sandálias, toga e protetores de perna, um peitoral decorado com elaborados desenhos de monstros marinhos e tudo que ele usava era de ouro. Até a sua espada, uma lâmina no estilo grego como Contracorrente, era feita de ouro em vez de bronze.
O menino dourado, Percy pensou, lembrando o seu sonho. Eles vão ter que passar pelo menino dourado.
O que realmente fez Percy se sentir nervoso era o capacete do cara. Sua viseira era uma máscara facial moderna como uma cabeça de górgona – presas curvas, características horríveis estampadas em escárnio e cabelo dourado de cobra enrolando ao redor do rosto. Percy tinha encontrado as górgonas antes. A semelhança era boa, um pouco boa demais para seu gosto.
Annabeth se virou para ficar ombro a ombro com Percy. Ele queria colocar seu braço em torno dela protetoramente, mas duvidou que ela apreciasse o gesto e ele não quis dar a esse cara dourado qualquer indicação de que Annabeth era sua namorada. Não havia sentido em dar ao inimigo mais vantagens do que ele já tinha.
— Quem é você? — Percy exigiu. — O que quer?
O guerreiro dourado riu. Com um movimento de sua lâmina, mais rápido do que Percy poderia acompanhar, ele golpeou Contracorrente, tirando-a da mão de Percy a enviando voando para o mar.
Ele poderia muito bem ter jogado os pulmões de Percy no mar, porque de repente Percy não podia respirar. Ele nunca tinha sido desarmado tão facilmente.
— Olá, irmão — a voz do guerreiro dourado era rica e aveludada, com um exótico sotaque, talvez do Oriente Médio, que parecia vagamente familiar. — Sempre feliz em roubar um colega filho de Poseidon. Eu sou Crisaor, a Espada de Ouro. Quanto ao que eu quero... — ele virou a máscara de metal para Annabeth. — Bem, isso é fácil. Eu quero tudo o que você tem.