quinta-feira, 17 de outubro de 2013

IX - Piper






PIPER NÃO QUERIA USAR A FACA.
Mas sentada na cabine do Jason, esperando-o acordar, ela se sentiu sozinha e impotente.
O rosto de Jason estava muito pálido, ele poderia estar morto. Ela se lembrou do terrível som do tijolo atingindo-o na testa – e tudo porque ele tentou protegê-la dos romanos.
Mesmo com o néctar e a ambrósia com que eles o alimentaram, Piper não poderia ter certeza que ele estaria bem quando acordasse. E se tivesse perdido a memória de novo – mas agora, as suas memórias dela? Essa seria a mais cruel das peças que os deuses a teriam pregado até o momento, e eles já haviam pregado peças bem cruéis.
Ela escutou Gleeson Hedge no quarto ao lado, cantarolando uma canção militar – Stars and stripes forever talvez? – Como a televisão por satélite estava fora do ar, o sátiro estava provavelmente sentado no seu beliche lendo de novo questões da revista Guns & Ammo. Ele não era um acompanhante ruim, mas com certeza era o bode velho mais ameaçador que Piper já havia encontrado.
Claro que ela estava grata ao sátiro. Ele ajudou seu pai, o ator Tristan McLean, a se reestruturar após ser sequestrado por gigantes no inverno passado. Poucas semanas antes, Hedge pediu a sua namorada, Mellie, que cuidasse da casa dos McLean, de modo que ele pudesse ir ajudar na missão.
O Treinador Hedge tentou fazer parecer com que retornar ao Acampamento Meio-Sangue tivesse sido tudo sua ideia, mas Piper suspeitava que fosse mais do que isso. Nas últimas semanas, quando Piper ligava pra casa, seu pai e Mellie perguntavam o que estava errado. Talvez algo na sua voz os tenha alertado.
Piper não podia compartilhar as visões que teve. Elas eram muito perturbadoras. Além disso, seu pai tinha tomado uma poção que apagou todas as suas memórias dela como uma meio-sangue. Mas ele ainda podia falar o quanto a filha estava chateada e ela tinha quase certeza que seu pai tinha encorajado o Treinador a cuidar dela.
Ela não deveria sacar sua faca. Isso só a faria se sentir pior.
Finalmente, a tentação foi grande demais. Ela desembainhou Katoptris. Não lhe pareceu muito especial, só uma faca triangular com um simples cabo, mas tinha pertencido a Helena de Troia. Seu nome significava espelho.
Piper olhou fixamente para a sua faca de bronze. Primeiramente, só viu o próprio reflexo. Depois uma luz começou a ondular através do metal. Ela viu uma multidão de semideuses romanos reunidos no fórum. O garoto loiro e maltrapilho, Octavian, falava para a multidão, agitando os punhos. Piper não conseguia o escutar, mas era óbvio o que falava: Nós precisamos matar esses gregos!
Reyna ficou de lado, com o seu rosto apertado de emoções reprimidas. Mágoa? Raiva? Piper não tinha certeza.
Ela estava preparada para odiar a Reyna, mas não conseguia. Durante a festa no fórum, Piper admirou a maneira com que ela guardou seus sentimentos. Reyna viu logo de cara algum tipo de relacionamento entre Piper e Jason. Como uma filha de Afrodite, Piper podia falar coisas desse tipo. Ficou educada como se estivesse no controle. Ela colocou as necessidades de seu Acampamento na frente das suas próprias emoções. Ela deu aos gregos uma chance justa... Até que o Argo II começou a destruir sua cidade.
Aquilo quase fez Piper se sentir culpada por ser a namorada de Jason, embora fosse bobo. Jason nunca foi o namorado da Reyna, não de verdade. Talvez Reyna não fosse tão ruim, mas não importava agora. Eles estragaram a chance de paz. O charme de Piper, por uma vez, não fez nada de bom.
Seu medo secreto? Talvez ela não tenha tentado verdadeiramente. Piper nunca quis ser amiga dos romanos. Ela estava muito preocupada em perder Jason para a sua vida antiga. Talvez, inconscientemente, não tenha feito o seu melhor na persuasão.
Agora Jason estava machucado. O navio quase foi destruído. E de acordo com a sua faca, aquele matador de ursinhos maluco, Octavian, estava incentivando os romanos para a guerra.
A cena na sua faca mudou. Teve uma rápida série de imagens que ela já tinha visto antes, mas que ainda não as entendia: Jason cavalgando para uma batalha nas costas de um cavalo, com seus olhos dourados ao invés de azuis; uma mulher em um belo e antigo vestido sulista, de pé ao lado de um parque perto do oceano e com palmeiras; um touro com a face de um homem barbudo, emergindo de um rio e dois gigantes em togas amarelas combinando, içando uma corda em um sistema de polias, levantando um vaso de bronze grande de um buraco.
Ai veio a pior visão: ela se viu com Jason e Percy, de pé com água na cintura, no fundo de uma câmara escura e circular, como uma parede gigante. Formas fantasmagóricas se moviam na água enquanto ela subia rapidamente. Piper agarrava as paredes, tentando escapar, mas não tinha para onde ir. A água alcançou o peito deles. Jason foi puxado para baixo.
Percy tropeçou e desapareceu.
Como um filho do deus do mar podia se afogar? Piper não sabia, mas ela se olhou na visão, sozinha e derrotada no escuro, até que a água subiu mais que a sua altura.
Piper fechou os olhos. Não me mostre isso de novo, ela implorou. Mostre-me algo útil. Ela se forçou a olhar na faca de novo.
Agora, ela viu uma rodovia vazia cortando campos de trigo e girassóis. Uma placa de localização marcava: TOPEKA 51. No acostamento da estrada havia um homem de short cáqui com camisa de acampamento roxa. Seu rosto estava coberto pela sombra de um grande chapéu, com a aba rodeada de videiras. Ele levantou uma taça de prata e acenou para Piper. De algum jeito, ela sabia que ele estava oferecendo algum tipo de presente – uma cura ou um antídoto.
— Hey — Jason resmungou.
Piper estava tão surpresa que deixou cair sua faca.
— Você está acordado!
— Não pareça tão surpresa — Jason tocou na atadura que estava na sua cabeça e franziu as sobrancelhas. — O que... o que aconteceu? Eu me lembro das explosões e...
— Você se lembra de quem eu sou?
Jason tentou rir, mas isso se transformou em uma dolorosa contração.
— Da última vez que eu chequei, você era a minha maravilhosa namorada Piper. A não ser que algo tenha mudado enquanto eu estava apagado?
Piper estava tão aliviada que quase chorou. Ela o ajudou a sentar e deu-lhe um pouco de néctar para bebericar enquanto o atualizava sobre os eventos ocorridos. Ela estava explicando o plano de Leo para consertar o navio quando escutou cascos de cavalo no convés acima de suas cabeças.
Momentos depois, Leo e Hazel tropeçaram em uma parada na entrada, carregando uma grande placa de bronze martelado entre eles.
— Deuses do Olimpo — Piper encarou Leo. — O que aconteceu com você?
O seu cabelo estava untado para trás. Ele tinha óculos de proteção de solda na testa, uma marca de batom na bochecha, tatuagens por todo o braço e uma camisa em que se lia COISA GOSTOSA, BAD BOY E TIME LEO.
— Longa história — ele disse. — Os outros estão de volta?
— Ainda não — Piper respondeu.
Leo amaldiçoou. Aí percebeu Jason se sentando e o seu rosto se iluminou.
— E aí cara! Ainda bem que você está melhor. Vou estar na sala de máquinas.
Ele saiu correndo com a placa de bronze, deixando Hazel na entrada.
Piper levantou uma sobrancelha pra ela.
— Time Leo?
— Nós conhecemos Narciso — Hazel disse, o que não explicou muito na verdade. — E também Nêmesis, a deusa da vingança.
Jason suspirou.
— Eu perco toda a diversão.
No convés acima, algo fez THUMP, como se uma criatura pesada tivesse pousado. Annabeth e Percy vieram correndo escada abaixo. Percy estava carregando um balde de plástico de vinte litros fumegante que cheirava pessimamente. Annabeth tinha um pedaço de alguma coisa preta e pegajosa no seu cabelo. A camisa de Percy estava coberta disso.
— Alcatrão? — Piper chutou.
Frank apareceu atrás deles, o que fez com que o corredor ficasse muito cheio de semideuses. Frank também tinha um grande pedaço da sua cara lambuzada com a substância preta.
— Topamos com uns monstros de alcatrão — disse Annabeth. — Hey, Jason, estou feliz que esteja acordado. Hazel, onde está o Leo?
Ela apontou para baixo.
— Sala de máquinas.
De repente, todo o navio se inclinou para bombordo. Os semideuses tropeçaram. Percy quase derramou seu balde de alcatrão.
— Uh, o que foi isso? — ele exigiu.
— Oh... — Hazel parecia embaraçada. — Talvez a gente tenha deixado algumas ninfas que vivem nesse lago zangadas. Tipo, todas elas.
— Ótimo — Percy entregou o balde de alcatrão para Annabeth e Frank. — Vocês ajudam Leo. Vou segurar esses espíritos da água o quanto puder.
— Pode deixar! — Frank prometeu.
Os três saíram, deixando Hazel na porta da cabine. O navio se inclinou de novo e Hazel apertou seu estômago como se estivesse doente.
— Eu vou... — ela engoliu, se dirigiu fracamente em direção ao corredor e saiu correndo.
Jason e Piper ficaram na parte de baixo do barco enquanto ele balançava. Para uma heroína, Piper se sentia inútil. Ondas batiam no casco enquanto vozes de raiva vinham do convés – Percy gritando, o Treinador Hedge também, só que com o lago. Festus, a figura de proa, soltou fogo várias vezes. Mais embaixo do corredor, Hazel gemia tristemente na sua cabine. Na sala de máquinas, parecia que Leo e os outros estavam fazendo um tipo de dança irlandesa com bigornas presas nos seus pés. Depois do que pareceram horas, o motor começou a zumbir. Os remos rugiram e chiaram, e Piper sentiu o navio erguer-se no ar.
O balanço e a tremedeira pararam. O navio ficou quieto, com exceção do zumbido das máquinas. Finalmente Leo apareceu. Ele estava banhado de suor, pó de cal e alcatrão. Parecia que a sua camisa tinha sido retalhada em uma escada rolante. O TIME LEO do seu peito agora se lia ME LEO. Mas ele riu forçadamente como um louco e anunciou que eles estavam a salvo e a caminho.
— Encontro no salão informal em uma hora — ele disse. — Dia louco, hein?

Depois de todos terem se limpado, Treinador Hedge pegou o leme e os semideuses se reuniram para o jantar. Era a primeira vez que todos estavam sentados juntos – só os sete. Talvez suas presenças devessem ter reafirmado Piper, mas ver todos eles em um lugar apenas a lembrou que a segunda Grande Profecia estava em andamento. Sem mais espera enquanto Leo termina o navio. Sem mais dias fáceis no Acampamento Meio-Sangue, fingindo que o futuro estava distante. Eles estavam a caminho, com muitos romanos raivosos atrás deles e as terras antigas à frente. Os gigantes estariam esperando. Gaia estava em ascensão. E a não ser que eles completem a missão, o mundo seria destruído.
Os outros devem ter sentido isso também. A tensão no salão informal era como uma tempestade elétrica, o que era totalmente possível, considerando os poderes de Percy e Jason. Em um momento embaraçoso, os dois garotos tentaram sentar na mesma cadeira (na cabeceira). Saíram literalmente faíscas das mãos de Jason. Depois de um momento curto de repulsão, como se os dois estivessem pensando É sério, cara? eles cederam a cadeira a Annabeth e se sentaram em lados opostos da mesa.
A tripulação trocou informações sobre o que aconteceu em Salt Lake City, mas até mesmo a história ridícula do Leo sobre como ele enganou Narciso não foi suficiente para animar o grupo.
— Então, para onde agora? — Leo perguntou com a boca cheia de pizza. — Eu fiz um conserto rápido para que pudéssemos sair do lago, mas ainda tem muitos danos a serem reparados. Nós realmente temos que descer de novo e consertar algumas coisas antes de cruzarmos o Atlântico.
Percy estava comendo um pedaço de torta, que por algum motivo era totalmente azul – recheio, casca e até a sobremesa de creme.
— Nós precisamos ganhar alguma distância do Acampamento Júpiter — ele disse — Frank viu algumas águias sobre Salt Lake City. Nós deduzimos que os romanos não estão muito longe de nós.
Isso não melhorou o clima da mesa. Piper não queria dizer nada, mas se sentiu obrigada... E um pouco culpada.
— Eu não acredito que possamos voltar e tentar nos reconciliar com os romanos. Talvez eu não tenha usado charme bem o suficiente.
Jason pegou na sua mão.
— Não foi sua culpa, Pipes. Ou do Leo — ele adicionou rapidamente. — O que quer que tenha acontecido foi culpa da Gaia, para separar os dois acampamentos.
Piper estava agradecida pelo seu apoio, mas ainda se sentia desconfortável.
— Se talvez pudéssemos explicar isso, embora...
— Sem provas? — Annabeth perguntou. — E sem ideia do que realmente aconteceu? Eu agradeço o que está dizendo, Piper. Eu não quero os romanos como inimigos, mas até entendermos o que Gaia está planejando, voltar seria suicídio.
— Ela tem razão — Hazel concordou. Ela ainda parecia um pouco enjoada, mas estava tentando comer alguns biscoitos de água e sal. A borda do seu prato estava encravada de rubis e Piper tinha certeza que eles não estavam lá no inicio da refeição. — Reyna pode até escutar, mas Octavian não vai. Os romanos têm que pensar na sua honra. Eles foram atacados. Irão atirar primeiro e perguntar depois.
Piper encarou a sua própria refeição. Os pratos mágicos podiam lhe dar uma grande variedade de comida vegetariana. Ela gostava especialmente do abacate e da quesadilla grelhada com pimenta, mas hoje a noite ela não estava com muita fome.
Ela pensou nas visões que teve na faca: Jason com olhos dourados; o touro com cabeça de homem; os dois gigantes em togas amarelas içando um jarro de bronze de um buraco. E o pior de tudo, se lembrou dela mesmo se afogando em água negra.
Piper sempre gostou de água. Ela tinha boas memórias do surf com o seu pai. Mas desde que começou a ter essa visão em Katoptris, tem pensado mais e mais em uma velha história Cherokee que o seu avô costumava contar para afastá-la do rio perto da sua cabana. Ele contou-lhe que os Cherokee acreditavam em espíritos da água bons, como as náiades dos gregos; mas também acreditavam em espíritos da água ruins, os canibais de água, que caçavam mortais com flechas invisíveis e que gostavam de afogar crianças pequenas.
— Vocês estão certos — ela decidiu. — Nós temos que continuar. Não só por causa dos romanos. Temos que nos apressar.
Hazel acenou.
— Nêmesis disse que nós só temos mais seis dias até que Nico morra e Roma seja destruída.
Jason franziu as sobrancelhas.
— Você quer dizer Roma, Roma, não Nova Roma?
— Eu acho que sim — Hazel confirmou. — Mas se for, não temos muito tempo.
— Por que seis dias? — Percy se perguntou. — E como eles vão destruir Roma?
Ninguém respondeu. Piper não queria adicionar notícias ruins, mas sentiu que devia.
— E tem mais — ela disse. — Eu tenho visto algumas coisas na minha faca.
O garoto grande, Frank, congelou com um garfo cheio de espaguete a meio caminho da boca.
— Coisas como...?
— Elas não fazem realmente sentido — Piper disse — só imagens confusas, mas vi dois gigantes, vestidos iguais. Talvez gêmeos.
Annabeth encarou a transmissão mágica do Acampamento Meio-Sangue na parede. Agora ela mostrava a sala de estar da Casa Grande: um fogo aconchegante na lareira e Seymour, a cabeça de leopardo empalhada, roncando contentemente acima da lareira.
— Gêmeos, como na profecia da Ella — Annabeth disse. — Se pudéssemos descobrir sobre essa parte, pode nos ajudar.
— A filha da sabedoria caminha solitária — Percy lembrou. — A Marca de Atena por toda a Roma é incendiária. Annabeth, isso tem que significar você. Juno me disse... Bem, ela me disse que você tinha uma tarefa difícil pela frente em Roma. Disse que duvidava que você conseguisse fazer isso. Mas sei que ela está errada.
Annabeth respirou profundamente.
— Reyna ia me contar algo um pouco antes do navio atacar. Disse que tinha uma lenda antiga entre os pretores de Roma – algo que tinha a ver com Atena. Ela disse que talvez possa ser a razão pela qual gregos e romanos não se dão bem.
Leo e Hazel trocaram olhares nervosos.
— Nêmesis mencionou algo similar — Leo disse. — Ela falou de uma dívida antiga que tinha de ser resolvida.
— Uma coisa que poderia levar as duas naturezas dos deuses à harmonia — Hazel lembrou. — Um mal antigo finalmente vingado.
Percy desenhou uma carranca na sua sobremesa de creme.
— Eu só fui pretor por algumas horas. Jason, você já ouviu uma lenda como essa?
Jason ainda segurava a mão da Piper. Seus dedos ficaram suados.
— Eu... Uh, eu não tenho certeza — ele disse. — Vou pensar nisso.
Percy estreitou os olhos.
— Você não tem certeza?
Jason não respondeu. Piper queria perguntar a ele o que estava errado. Podia dizer que ele não queria discutir essa lenda antiga. Ela olhou para ele, ele pediu silenciosamente. Depois.
Hazel quebrou o silêncio.
— E as outras linhas? — ela virou seu prato com rubi incrustado. — Gêmeos ceifaram do anjo a vida, que detém a chave para a morte infinita.
— A ruína dos gigantes se apresenta dourada e pálida — Frank adicionou. — Conquistada por meio da dor de uma prisão tecida.
— A ruína dos gigantes — Leo repetiu. — Tudo que é uma ruína de gigantes é bom para nós, certo? Isso é provavelmente o que precisamos achar. Se pode ajudar os deuses a parar de agir de forma esquizofrênica, é bom.
Percy assentiu.
— Nós não podemos matar os gigantes sem ajuda dos deuses.
Jason virou para Hazel e Frank.
— Eu achava que vocês tinham matado aquele gigante no Alasca sem a ajuda dos deuses, só vocês dois.
— Alcioneu é um caso especial — Frank disse. — Ele só era imortal no território em que nasceu – Alasca. Mas não no Canadá. Eu gostaria de poder matar todos os gigantes apenas atravessando-os da fronteira do Alasca para o Canadá, mas... — ele encolheu os ombros. — Percy está certo, nós vamos precisar dos deuses.
Piper olhou fixamente para as paredes. Ela realmente desejava que Leo não as tivesse enfeitiçado com imagens do Acampamento Meio-Sangue. Era como um portal para casa que nunca conseguiria passar. Ela olhou a lareira de Héstia queimando no meio do verde enquanto os chalés apagavam suas luzes para o toque de recolher.
Ela se perguntava como os semideuses romanos, Frank e Hazel, se sentiam sobre essas imagens. Nunca estiveram no Acampamento Meio-Sangue. Isso parecia estranho para eles ou injusto que o Acampamento Júpiter não foi representado? Fazia com que eles sentissem falta da sua própria casa?
As outras linhas da profecia apareceram na mente de Piper. O que era uma prisão tecida? Como que gêmeos ceifaram a vida do anjo? A chave para morte infinita não parecia muito alegre também.
— Então... — Leo empurrou sua cadeira para longe da mesa. — Primeiro o que tem que ser feito, eu acho. Nós teremos de descer de manhã para concluir os reparos.
— Algum lugar perto de uma cidade — Annabeth sugeriu — no caso de precisarmos de suprimentos. Mas algum lugar fora da rota, para que os romanos tenham dificuldade em nos achar. Alguma ideia?
Ninguém falou. Piper se lembrou da sua visão na faca: o homem estranho em roxo, segurando um cálice e acenando para ela. Ela estava parada em frente de uma placa onde se lia TOPEKA 51.
— Bem — ela se aventurou — o que vocês acham do Kansas?