quinta-feira, 17 de outubro de 2013

V - Leo






LEO QUERIA PODER INVENTAR uma máquina do tempo. Ele voltaria duas horas atrás e desfaria o que tinha acontecido. Ou isso, ou ele poderia inventar uma máquina de Tapa-na-Cara-do-Leo para punir a si mesmo, embora duvidasse que isso o machucasse mais do que o olhar que Annabeth estava dando a ele.
— Mais uma vez — ela disse. — O que exatamente aconteceu?
Ele caiu contra o mastro. Sua cabeça ainda latejava por ter acertado o convés. Ao redor dele, seu lindo navio novo estava em ruínas. As balistas da popa tinham virado um monte de gravetos. O traquete estava esfarrapado. O satélite que fornecia internet e TV a bordo tinha sido explodido em pedaços, o que tinha deixado o Treinador Hedge bem nervoso. Sua figura de proa de bronze em formato de dragão, Festus, estava tossindo fumaça como se tivesse uma bola de pelo na garganta e Leo podia dizer pelos barulhos de gemido a bombordo que alguns dos remos aéreos tinham sido desalinhados ou destruídos por completo, o que explicava porque o navio estava balançando e tremendo enquanto voava e o motor chiando como um trem a vapor asmático.
Ele sufocou um soluço.
— Eu não sei. É confuso.
Tantas pessoas estavam olhando para ele: Annabeth (Leo odiava deixá-la furiosa, aquela garota o assustava), Treinador Hedge com suas pernas de bode peludas, sua camisa polo laranja e seu taco de beisebol (ele tinha que carregar aquilo por todo lugar?) e o recém-chegado, Frank.
Leo não sabia o que pensar de Frank. Ele parecia um bebê lutador de sumô, embora Leo não fosse estupido o bastante para falar isso em voz alta. A sua memória estava nebulosa, mas enquanto esteve meio consciente, tinha certeza absoluta que tinha visto um dragão pousar no navio – um dragão que tinha se transformado em Frank.
Annabeth cruzou os braços.
— Você quer dizer que não se lembra?
— Eu... — Leo sentia como se estivesse tentando engolir uma bolinha de gude. — Eu lembro, mas é como se eu estivesse me vendo fazer aquelas coisas. Eu não conseguia me controlar.
O Treinador Hedge bateu seu taco contra o convés. Em suas roupas de ginástica, com seu boné puxado sobre seus chifres, parecia exatamente como costumava parecer na Escola da Vida Selvagem, onde ele passou um ano disfarçado como professor de Educação Física de Jason, Piper e Leo. A forma como o velho sátiro estava carrancudo quase fez Leo se perguntar se o treinador iria pedir para que ele fizesse flexões.
— Olha, garoto — Hedge disse — Você explodiu algumas coisas. Você atacou alguns romanos. Incrível! Excelente! Mas você tinha que destruir o satélite da TV? Eu estava no meio da transmissão de Cage Match.
— Treinador — Annabeth disse — por que você não vai checar se todos os incêndios foram apagados?
— Mas eu já fiz isso.
— Faça de novo.
O sátiro saiu se arrastando, resmungando baixinho. Nem mesmo Hedge era louco o bastante para desafiar Annabeth.
Ela se ajoelhou perto de Leo. Seus olhos cinzentos pareciam duros como pedras. Seu cabelo loiro caía solto sobre os ombros, mas Leo não achava aquilo atraente. Ele não tinha a menor ideia de onde vinha o estereotipo de garotas loiras risonhas e burras. Desde que tinha conhecido Annabeth no Grand Canyon no último inverno, quando ela tinha caminhado em direção a ele com aquela expressão de Me entregue Percy Jackson ou eu irei matar você, Leo pensava nas garotas loiras como muito inteligentes e muito perigosas.
— Leo — ela disse calmamente — Octavian enganou você de alguma forma? Ele enquadrou você, ou...
— Não — Leo podia ter mentido e culpado aquele romano estúpido, mas não queria deixar uma situação ruim ainda pior. — O cara era um babaca, mas ele não abriu fogo contra o acampamento. Eu abri.
O garoto novo, Frank, fez uma careta.
— De propósito?
— Não! — Leo fechou os olhos com força. — Bem, sim... Quer dizer, eu não queria fazer isso. Mas ao mesmo tempo senti que queria. Alguma coisa estava me obrigando a fazer isso. Havia essa sensação de frio dentro de mim.
— Uma sensação de frio — o tom de Annabeth mudou. Ela soava quase... Assustada.
— É — Leo disse. — Por quê?
Abaixo do convés, Percy chamou:
— Annabeth, precisamos de você.
Ai, deuses, Leo pensou. Por favor, façam o Jason ficar bem.
Logo que eles chegaram a bordo, Piper levou Jason para baixo. O corte em sua cabeça parecia bem grave. Leo conhecia Jason mais do que qualquer um no Acampamento Meio-Sangue. Eles eram melhores amigos. Se Jason não conseguisse...
— Ele ficará bem — a expressão de Annabeth suavizou. — Frank, eu já volto. Apenas... Vigie o Leo. Por favor.
Frank assentiu.
Se era possível fazer Leo se sentir pior, ele tinha conseguido. Annabeth agora confiava em um semideus romano que ela tinha conhecido há tipo, três segundos, mais do que confiava em Leo.
Assim que ela se foi, Leo e Frank olharam um para o outro. O grandalhão parecia bem esquisito em sua toga de lençol, com seu capuz cinza e jeans, um arco e uma aljava do arsenal do navio pendurados sobre o ombro. Leo se lembrava da vez que tinha conhecido as Caçadoras de Ártemis, um bando de meninas bonitas e ágeis em suas roupas prateadas, todas armadas com arcos. Ele imaginou Frank brincando com elas. A ideia era tão ridícula que quase o fez se sentir melhor.
— Então — Frank disse. — Seu nome não é Sammy?
Leo franziu o cenho.
— Que tipo de pergunta é essa?
— Nada — Frank disse rapidamente. — Eu só... nada. Sobre o ataque ao acampamento... Octavian pode estar por trás disso, magicamente ou algo assim. Ele não quer os romanos se dando bem com vocês.
Leo queria acreditar nisso. Era grato por esse garoto não odiá-lo. Mas sabia que isso não tinha sido coisa de Octavian. Foi Leo quem caminhou até uma balista e começou a disparar. Parte dele sabia que aquilo era errado. Ele perguntou a si mesmo: O que diabos estou fazendo? Mas ele abriu fogo de qualquer forma.
Talvez estivesse ficando louco. O estresse de todos esses meses trabalhando no Argo II podia ter por fim tê-lo feito sucumbir. Porém ele não podia pensar sobre isso. Precisava fazer algo produtivo. Suas mãos precisavam ficar ocupadas.
— Olha — ele disse — Eu tenho que conversar com Festus e obter um relatório de danos. Você se importa se...?
Frank o ajudou a ficar de pé.
— Quem é Festus?
— Meu amigo — Leo disse. — Seu nome também não é Sammy, no caso de você estar se perguntando. Vamos, eu irei apresentá-lo.
Felizmente o dragão de bronze não estava danificado. Bem, apesar do fato de no último inverno ele ter perdido tudo menos sua cabeça, mas Leo não contava isso.
Quando chegaram à parte da frente do navio, a figura de proa girou cento e oitenta graus e olhou para eles. Frank gritou e recuou.
— Está vivo! — ele disse.
Leo teria dado risada se ele não estivesse se sentindo tão mal.
— Sim. Frank, este é Festus. Ele costumava ser um dragão de bronze completo, mas tivemos um acidente.
— Vocês tem um monte de acidentes — Frank notou.
— Bem, alguns de nós não conseguem se transformar em dragões então tivemos que construir o nosso próprio — Leo arqueou suas sobrancelhas para Frank. — De qualquer forma, eu o revivi como uma figura de proa. Ele é agora um tipo de interface principal do navio. Como estão as coisas, Festus?
Festus soprou fumaça e fez uma série de rangidos e sons de zumbido. Durante os últimos meses, Leo tinha aprendido a interpretar essa linguagem de máquina. Os outros semideuses conseguiam compreender latim e grego. Leo podia falar chiadeira e rangido.
— Argh — Leo disse. — Poderia ser pior, mas o casco está comprometido em muitos lugares. Os remos aéreos precisam ser consertados antes que possamos ir à toda velocidade novamente. Iremos precisar de alguns materiais de reparo: Bronze Celestial, alcatrão, cal...
— Pra que você precisa de sal?
— Cara, é cal. Carbonato de cálcio, usado em cimento e um monte de outras... Ah, não importa. O ponto é, esse navio não vai muito longe a menos que possamos consertá-lo.
Festus fez outro som de clique que Leo não reconheceu. Parecia Ai-zel.
— Ah... Hazel — ele decifrou. — É a garota com cabelo encaracolado, certo?
Frank engoliu em seco.
— Ela está bem?
— Sim, ela está bem — Leo disse. — De acordo com Festus, o cavalo dela está correndo logo aqui abaixo. Está nos acompanhando.
— Nós temos que pousar então — Frank disse.
Leo o estudou.
— Ela é sua namorada?
Frank mordeu o lábio.
— Sim.
— Você não parece ter certeza.
— Sim. Sim, definitivamente. Eu tenho certeza.
Leo ergueu as mãos.
— Tudo bem, Tudo bem. O problema é que nós só conseguiremos aterrissar mais uma vez. Do jeito que o casco e os remos estão, não seremos capazes de decolar novamente até que o conserto seja feito, por isso temos que ter certeza de pousar em um lugar que tenha todos os suprimentos certos.
Frank coçou a cabeça.
— Onde você vai conseguir Bronze Celestial? Você não pode apenas comprar em uma loja de beira de estrada.
— Festus, faça uma busca.
— Ele consegue procurar por bronze mágico? — Frank disse maravilhado. — Existe alguma coisa que ele não possa fazer?
Leo pensou: Você deveria ter visto quando ele tinha um corpo. Mas ele não disse isso. Era doloroso demais se lembrar de Festus como ele costumava ser.
Leo olhou por cima da proa do navio. O Vale Central da Califórnia passava abaixo. Leo não tinha muita esperança de que eles pudessem encontrar tudo o que precisavam em um só lugar, mas precisava tentar. Também queria colocar o máximo de distância entre ele e Nova Roma. O Argo II conseguia cobrir longas distâncias de forma rápida, graças ao seu motor mágico, mas Leo imaginava que os romanos tivessem seus próprios meios de viagem mágica.
Atrás dele, a escada rangeu. Percy e Annabeth subiram, seus rostos estavam sombrios.
O coração de Leo vacilou.
— Jason está...?
— Ele está descansando — Annabeth disse. — Piper está cuidando dele, ele deve ficar bem.
Percy deu-lhe um olhar severo.
— Annabeth disse que foi você quem disparou a balista?
— Cara, eu-eu não entendo como isso aconteceu. Eu sinto muito.
— Sente muito? — Percy rosnou.
Annabeth colocou a mão sobre o peito do namorado.
— Nós damos um jeito nisso mais tarde. Agora temos que nos reagrupar e fazer um plano. Qual a situação do navio?
As pernas de Leo tremiam. A maneira como Percy olhou para ele o fez sentir o mesmo que ele sentia quando Jason invocava um relâmpago. A pele de Leo formigava e todos os seus instintos gritavam deite-se no chão!
Ele conversou com Annabeth sobre os danos e os suprimentos de que precisavam. Pelo menos se sentiu melhor falando de algo que poderia ser consertado. Ele estava lamentando a escassez de bronze celestial quando Festus começou a zumbir e ranger.
— Perfeito — Leo suspirou de alívio.
— O que é perfeito? — Annabeth disse. — Eu posso contar com algo perfeito nesse momento.
Leo conseguiu dar um sorriso.
— Tudo o que precisamos em um só lugar. Frank, por que você não se transforma em um pássaro ou algo assim? Voe baixo e diga a sua namorada para nos encontrar no Great Salt Lake em Utah.

Eles chegaram lá, mas não foi um pouso muito bonito. Com os remos danificados e o traquete rasgado, Leo mal conseguia controlar a descida. Os outros se prenderam abaixo do convés, exceto pelo Treinador Hedge, que insistiu em se agarrar a calha da frente, gritando:
— YEAH! Manda ver! Vamos para o lago!
Leo permaneceu na popa, sozinho no comando e fez o melhor que pôde.
Festus rangia e zumbia sinais de alerta, que foram transmitidos através do intercomunicador para o convés.
— Eu sei, eu sei — Leo disse, rangendo os dentes.
Ele não teve muito tempo para apreciar a paisagem. A sudeste, estava a cidade situada no sopé de uma cordilheira, via-se roxo e azul nas sombras da tarde. A paisagem desértica plana continuava em direção ao sul. Diretamente abaixo deles, o Great Salt Lake brilhava como folha de alumínio, a linha costeira marcada por salinas brancas fazia Leo se lembrar de fotos aéreas de Marte.
— Aguenta aí, Treinador! — ele gritou. — Isso vai doer.
— Eu nasci para a dor!
WHOOM!
Uma onda de água salgada inundou a proa, encharcando o Treinador Hedge. O Argo II pendeu perigosamente para o estibordo, então se endireitou e se balançou sobre a superfície do lago.
Três grupos de remos robóticos mergulharam na água e começaram a mover o navio para frente.
— Bom trabalho, Festus — Leo disse. — Nos leve para a margem sul.
— Yeah! — O Treinador Hedge ergueu os punhos no ar. Ele estava encharcado dos chifres aos cascos, porém sorrindo como um bode louco. — Faça isso de novo!
— Hã... Talvez depois — Leo respondeu. — Apenas fique acima do convés okay? Você pode continuar vigiando, no caso de, você sabe, o lago decidir nos atacar ou algo assim.
— Farei isso — prometeu Hedge.
Leo tocou a campainha do está tudo bem e se dirigiu para as escadas. Antes de chegar lá, um clump-clump-clump alto sacudiu o casco. Um garanhão bronzeado apareceu no convés com Hazel Levesque em suas costas.
— Como...? — A pergunta de Leo morreu em sua garganta. — Estamos no meio de um lago! Essa coisa pode voar?
O cavalo relinchou furioso.
— Arion não consegue voar — Hazel falou. — Mas ele pode correr sobre qualquer coisa. Água, superfícies verticais, pequenas montanhas – nada disso o impede.
— Ah.
Hazel estava olhando para ele de um jeito estranho, da mesma forma que o estava encarando durante o banquete no fórum, como se ela estivesse procurando alguma coisa em seu rosto. Ele se sentiu tentado a perguntar se eles já se conheciam, mas tinha certeza que não. Ele se lembraria de uma garota bonita prestando atenção nele. O que não acontecia frequentemente.
Ela é namorada de Frank, lembrou a si mesmo.
Frank ainda estava abaixo do convés, mas Leo quase desejou que o grandalhão subisse as escadas. O jeito com que Hazel o estudava fez Leo se sentir desconfortável e autoconsciente.
O Treinador Hedge rastejou para frente com seu taco de beisebol olhando desconfiadamente para o cavalo mágico.
— Valdez, isso conta como uma invasão?
— Não! — Leo exclamou. — Hã, Hazel é melhor você vir comigo. Eu construí um estábulo abaixo do convés principal, se Arion quiser.
— Ele está mais para um espírito livre — Hazel deslizou para fora da sela. — Ele vai pastar ao redor do lago até que eu o chame. Mas quero ver o navio. Mostre o caminho.
O Argo II foi projetado como um trirreme antigo, apenas duas vezes maior. O primeiro convés tinha um corredor central com cabines de tripulação de ambos os lados. Em um trirreme normal, a maior parte do espaço teria sido tomada por três fileiras de bancos para algumas centenas de caras suados para o trabalho braçal, mas os remos de Leo eram automatizados e retráteis, então ocupavam um espaço menor no interior do casco. A energia do navio vinha do motor no segundo convés, mais baixo, que também abrigava a enfermaria, o armazém e os estábulos.
Leo abriu caminho para o corredor. Ele construiu o navio com oito cabines – sete para os semideuses da profecia e uma para o Treinador Hedge (sério, Quíron o considerava um acompanhante adulto responsável?). Na popa havia um grande refeitório/sala de estar, que era para onde Leo se dirigia.
No caminho, eles passaram pelo quarto de Jason. A porta estava aberta. Piper estava sentada ao lado de sua cama, segurando a mão de Jason enquanto ele ressonava com uma bolsa de gelo em sua cabeça.
Piper olhou para Leo. Ela levou um dedo aos lábios pedindo silêncio, mas não parecia zangada. O que já era alguma coisa. Leo tentou se livrar da culpa que sentia e continuou andando.
Quando chegaram ao refeitório, eles encontraram os outros – Percy, Annabeth e Frank, sentados desajeitadamente em torno da mesa de jantar.
Leo tinha feito a sala o mais agradável possível, uma vez que percebeu que gastariam muito tempo ali. O armário estava cheio de copos e pratos mágicos do Acampamento Meio-Sangue que iriam se encher de qualquer comida ou bebida que você quisesse pedir. Havia também uma caixa de isopor mágica com bebidas enlatadas, perfeita para piqueniques em terra firme. As cadeiras eram poltronas reclináveis de massagem com fones de ouvido, porta-copos e porta-espadas incorporados para todos os semideuses, deixando de lado as necessidades. Não havia janelas, mas as paredes tinham sido encantadas para mostrar em tempo real imagens do Acampamento Meio-Sangue – a praia, a floresta, os campos de morango – embora agora Leo se perguntasse se isso fazia eles ficarem com saudades de casa, ao invés de felizes.
Percy estava olhando saudosamente para a vista do pôr do sol da Colina Meio-Sangue, onde o Velocino de Ouro reluzia nos galhos mais altos do pinheiro.
— Bem, nós pousamos — Percy disse. — E agora?
Frank regulou a corda do seu arco.
— Resolver a profecia? Quer dizer... Aquilo que Ella disse era uma profecia, certo? Dos livros sibilinos?
— O quê? — Leo perguntou.
Frank explicou como a amiga harpia deles era assustadoramente boa em memorizar livros. Em algum momento no passado, ela devorou uma seleção de profecias antigas que teriam supostamente sido destruídos na queda de Roma.
— Por isso você não contou aos romanos — Leo adivinhou. — Você não quer que eles tomem posse dela.
Percy continuava olhando para a imagem do Acampamento Meio-Sangue.
— Ella é sensível. Estava aprisionada quando a encontramos. Eu só não quero que... — ele cerrou o punho. — Agora isso não importa. Enviei uma mensagem de Íris para Tyson, disse a ele para levar Ella para o Acampamento Meio-Sangue. Eles estarão seguros lá.
Leo duvidava que qualquer um deles estivesse seguro agora que ele tinha perturbado um acampamento cheio de romanos furiosos, além dos problemas que ele já tinha com Gaia e os gigantes; mas ficou em silêncio.
Annabeth entrelaçou os dedos.
— Deixem que eu pense sobre a profecia, mas nesse momento, temos problemas mais imediatos. Nós temos que consertar esse navio. Leo, do que precisamos?
— A coisa mais fácil é o alcatrão — Leo estava feliz em mudar de assunto. — Podemos conseguir isso na cidade, numa loja de materiais para telhados ou algum lugar parecido. Além disso, Bronze Celestial e cal. De acordo com Festus, nós podemos encontrar ambos numa ilha no lago, a oeste daqui.
— Temos que nos apressar — Hazel advertiu. — Se eu bem conheço Octavian, ele está nos procurando com seus augúrios. Os romanos irão mandar uma força de ataque atrás de nós. É uma questão de honra.
Leo sentiu os olhos de todos voltados para ele.
— Galera... Eu não sei o que aconteceu. Honestamente, eu...
Annabeth levantou a mão.
— Nós já conversamos. Concordamos que não poderia ter sido você, Leo. Essa sensação de frio que você mencionou... Eu senti isso também. Deve ser algum tipo de magia de Octavian ou Gaia ou de um de seus subordinados. Mas até que entendamos o que aconteceu...
Frank resmungou.
— Como podemos ter certeza de que não vai acontecer de novo?
Os dedos de Leo se aqueceram como se ele estivesse prestes a pegar fogo. Um de seus poderes como filho de Hefesto era poder invocar fogo à vontade, mas ele tinha que tomar cuidado para não fazer isso acidentalmente, especialmente em um navio cheio de explosivos e materiais inflamáveis.
— Eu estou bem agora — ele insistiu, embora gostaria de ter certeza. — Talvez devêssemos usar o sistema de companheiros. Ninguém vai a lugar nenhum sozinho. Nós podemos deixar Piper e o Treinador Hedge a bordo com Jason. Uma equipe será enviada para a cidade para obter o alcatrão. E a outra pode ir atrás do bronze e do cal.
— Se dividir? — Percy disse. — Isso parece uma péssima ideia.
— Vai ser bem rápido — Hazel adicionou. — Além disso, há uma razão para que uma missão seja normalmente limitada a três semideuses certo?
Annabeth levantou as sobrancelhas como se estivesse reavaliando os méritos de Hazel.
— Você está certa. Pela mesma razão precisamos do Argo II... Fora do acampamento sete semideuses em um só lugar iriam chamar muito a atenção dos monstros. O navio é projetado para nos ocultar e nos proteger. Devemos ficar seguros o suficiente a bordo, mas se formos a expedições, não devemos viajar em grupos maiores que três. Não faz sentido alertar mais subordinados de Gaia do que já alertamos.
Percy ainda não parecia feliz com isso, mas ele pegou a mão de Annabeth.
— Desde que você seja a minha companheira, por mim tudo bem.
Hazel sorriu.
— Ah, isso é fácil. Frank, você foi incrível transformando-se em dragão! Você pode se transformar de novo para voar com Annabeth e Percy para a cidade encontrar o alcatrão?
Frank abriu a boca como se quisesse protestar.
— Eu... Eu acho que sim. Mas e quanto a você?
— Eu vou no Arion com Sam... Com Leo, aqui. — Ela mexeu no punho de sua espada, o que deixou Leo desconfortável. Ela estava ainda mais nervosa que ele. — Nós iremos pegar o bronze e o cal. Nós todos podemos nos encontrar aqui ao anoitecer.
Frank fez uma careta. Obviamente ele não gostava da ideia de Leo sair com Hazel. Por alguma razão, a desaprovação de Frank fez Leo querer ir. Ele tinha que provar que era confiável. Não iria disparar mais nenhuma balista aleatoriamente de novo.
— Leo — Annabeth disse — se obtivermos os suprimentos, quanto tempo para consertar o navio?
— Com sorte, apenas algumas horas.
— Ótimo — ela decidiu. — Nós o encontraremos aqui o mais rapidamente possível, mas tome cuidado. Vamos forçar um pouco a sorte. Não que isso signifique que nós a temos.