quinta-feira, 17 de outubro de 2013

XIII - Percy






ESQUEÇA A CORTINA DE FUMAÇA DE NUGGET DE FRANGO. Percy queria que Leo inventasse um chapéu anti-sonhos.
Naquela noite, teve pesadelos horríveis. Primeiro sonhou que estava de volta ao Alasca na missão atrás da águia da legião. Ele estava caminhando através da estrada de uma montanha, mas assim que deu um passo para trás foi engolido por um brejo – pântano, como Hazel tinha chamado. Ele se viu sufocando na lama, incapaz de se mover ou respirar.
Pela primeira vez na vida, entendeu como era se afogar.
É só um sonho, ele disse para si mesmo. Eu vou acordar.
Mas isso não fez com que ele se sentisse menos aterrorizado.
Percy nunca tinha sentido medo de água. Era o elemento do pai dele. Mas desde a experiência no pântano, tinha ficado com medo de se afogar. Ele nunca conseguiria admitir isso a ninguém, mas isso tinha até o feito ficar nervoso quanto a ir para a água. Ele sabia que isso era uma idiotice. Não podia se afogar. Mas também suspeitava que se não controlasse o medo, o medo o controlaria.
Ele pensou na sua amiga Thalia, que tinha medo de altura mesmo sendo filha do deus do céu. O irmão dela, Jason, podia voar convocando os ventos. Thalia não podia talvez porque tivesse medo demais para tentar. Se Percy começasse a acreditar que ele podia se afogar...
O pântano fez pressão contra seu peito. Seus pulmões queriam estourar.
Pare de entrar em pânico, ele disse a si mesmo. Isso não é real.
Exatamente no momento em que ele não conseguia mais segurar o fôlego, o sonho mudou.
Ele estava em um vasto lugar sombrio, como uma garagem subterrânea. Fileiras de pilares de pedra marchavam em todas as direções, segurando o teto seis metros acima. Braseiros solitários lançavam um tênue brilho vermelho sobre o chão.
Percy não conseguia ver muito longe nas sombras, mas pendurados no teto, estavam sistemas de roldanas, sacos de areia e fileiras de escuras luzes de teatro. Empilhados em torno da câmara, caixas de madeiras estavam rotuladas com SUPORTES, ARMAS e FANTASIAS. Em uma se lia: LANÇADORES DE GRANADAS VARIADOS. Percy ouviu o ranger de máquinas na escuridão, engrenagens imensas se movendo e água correndo através de tubos.
Então ele viu o gigante… Ou pelo menos Percy achava que ele era um gigante.
Ele tinha por volta de 4 metros de altura – um tamanho respeitável para ciclopes, mas só a metade da altura dos gigantes com que Percy já tinha lidado. Ele também parecia mais humano do que um típico gigante, sem as pernas de dragão como as de seus parentes maiores. Mesmo assim, seu longo cabelo roxo estava trançado em um rabo de cavalo de dreadlocks, tecido com moedas de ouro e de prata, o que pareceu à Percy um estilo de cabelo dos gigantes. Ele tinha uma lança de uns três metros presa nas costas – uma arma gigante.
Ele estava vestindo a maior camiseta preta que Percy já tinha visto, calças pretas e sapatos de couro pretos com as pontas muito longas e enroladas – aqueles devem ter sido de um bobo da corte. Ele caminhou de um lado para o outro em frente a uma plataforma elevada, examinando um jarro de bronze do tamanho de Percy.
— Não, não, não — o gigante murmurou para si mesmo. — Onde está a abertura? Onde está o valor? — Ele gritou para as sombras — Oto!
Percy ouviu alguma coisa se remexendo à distância. Outro gigante surgiu da escuridão. Ele estava vestindo exatamente as mesmas roupas pretas, até os mesmos sapatos enrolados. A única diferença entre os dois gigantes era que o cabelo do segundo era verde em vez de roxo.
O primeiro gigante amaldiçoou.
— Oto, porque você faz isso comigo todo dia? Eu te disse que eu ia vestir a camiseta preta hoje. Você podia vestir qualquer coisa menos a camiseta preta!
Oto piscou como se tivesse acabado de acordar.
— Eu pensei que você ia vestir a toga amarela hoje.
— Isso foi ontem! Quando você apareceu usando a toga amarela!
— Ah. Certo. Desculpa, Efie.
Seu irmão rosnou. Eles tinham que ser gêmeos, porque os rostos deles eram igualmente feios.
— E não me chame de Efie — Efie exigiu. — Me chame de Efialtes. Esse é o meu nome. Ou você pode usar o meu nome artístico: O Grande F!
Oto fez uma careta.
— Eu ainda não tenho muita certeza sobre esse nome artístico.
— Bobagem! É perfeito. Agora, como estão indo as preparações?
— Bem — Oto não soou muito entusiasmado. — Os tigres comedores de homens, as lâminas giratórias... Mas ainda penso que algumas bailarinas seriam ótimas.
— Nada de bailarinas! — Efialtes falou. — E essa coisa.— Ele acenou na direção do jarro de bronze com desgosto. — O que isso faz? Não é nada emocionante.
— Mas esse é o ponto alto do show. Ele morre a não ser que os outros o resgatem. E se eles chegarem no horário...
— Ah, é melhor eles chegarem! — Efialtes disse. — Primeiro de Julho, as Calendas de Julho, é sagrado para Juno. E quando a Mãe destruir aqueles estúpidos semideuses, realmente jogará a culpa na cara da Juno. Além disso, não vou pagar hora extra para esses fantasmas gladiadores!
— Bem, depois, eles todos morrem — Oto disse — e nós começamos a destruição de Roma. Exatamente como a mãe quer. Vai ser perfeito. A multidão vai amar. Fantasmas Romanos adoram esse tipo de coisa.
Efialtes não parecia convencido.
— Mas a jarra só fica parada ali. Nós não poderíamos deixar ela pendurada acima de fogo ou de uma poça de ácido ou outra coisa?
— Nós precisamos dele vivo por mais alguns dias — Oto relembrou seu irmão. — Senão, os sete não vão morder a isca e correr para salvá-lo.
— Hmm. Acho que sim. Eu ainda preferiria mais gritos. Essa morte lenta é chata. Ah, bem, e quanto a nossa amiga talentosa? Ela está pronta para receber sua visitante?
Oto fez uma cara azeda.
— Eu realmente não gosto de falar com ela. Ela me deixa nervoso.
— Mas ela está pronta?
— Sim — Oto disse relutante. — Ela tem estado pronta a séculos. Ninguém vai remover aquela estátua.
— Excelente — Efialtes esfregou as mãos com ansiedade. — Esse é nossa grande chance, meu irmão.
— Isso foi o que você disse sobre a nossa última tentativa — Oto resmungou. — Eu fui pendurado em um bloco de gelo suspenso sobre o Rio Lete por seis meses e nós nem mesmo tivemos a atenção da mídia.
— Isso é diferente! — Efialtes insistiu. — Nós vamos estabelecer um novo padrão para entretenimento! Se a Mãe ficar satisfeita, nós podemos escrever nossa própria passagem para a fama e a fortuna!
— Se você diz — Oto suspirou. — Mas ainda penso que aquelas fantasias de bailarinas do Lagos dos Cisnes ficariam adoráveis.
— Nada de balé!
— Desculpe.
— Venha — Efialtes disse. — Vamos examinar os tigres. Eu quero ter certeza de que eles estão com fome!
Os gigantes foram para dentro da escuridão e Percy se virou para o jarro.
Eu preciso ver dentro, pensou.
Ele quis ir para a frente no sonho, bem acima da superfície do jarro. Depois ele atravessou a superfície e entrou.
O ar dentro do jarro cheirava a algo rançoso e metal enferrujado. A única luz vinha do fraco brilho roxo de uma espada negra, a lâmina de aço estígio apoiado contra um dos lados do jarro. Amontoado ao lado dela estava um garoto que parecia abatido usando jeans rasgados, uma camisa preta e uma velha jaqueta de aviador. Na sua mão direita, um anel de caveira de prata brilhava.
— Nico — Percy chamou. Mas o filho de Hades não podia ouvi-lo.
O jarro estava completamente selado. O ar estava se tornando venenoso. Os olhos de Nico estavam fechados, sua respiração fraca. Ele parecia estar meditando. Seu rosto estava pálido e mais fino do que Percy se lembrava.
Na parede interna do jarro, parecia que Nico tinha arranhado três linhas com a sua espada – talvez significasse que ele estava aprisionado por três dias?
Não parecia possível que ele pudesse ter sobrevivido todo esse tempo sem sufocar. Mesmo em sonho, Percy já estava começando a entrar em pânico, lutando para conseguir oxigênio.
Então percebeu uma coisa entre os pés de Nico – uma pequena coleção de objetos brilhantes do tamanho de dentes de bebês.
Sementes, Percy percebeu. Sementes de romã. Três já haviam sido comidas e cuspidas.
Cinco ainda estavam envoltas na polpa vermelha escura.
— Nico — Percy disse. — onde fica esse lugar? Nós vamos salvar você...
A imagem se desfez e uma voz de garota murmurou:
— Percy.
De início, Percy pensou que ainda estava dormindo. Quando perdeu sua memória, passou semanas sonhando com Annabeth, a única pessoa de quem ele se lembrava do seu passado. Assim que seus olhos se abriram e sua visão se clareou, percebeu que ela estava realmente ali.
Ela estava ao lado da sua cama, sorrindo para ele.
Seus cabelos loiros caíam pelos seus ombros. Seus olhos cinza-tempestade estavam brilhando divertidos. Ele se lembrou do seu primeiro dia no Acampamento Meio-Sangue, cinco anos atrás, quando ele tinha acordado atordoado e encontrou Annabeth parada em cima dele. Ela tinha dito: você baba enquanto dorme.
Ela era sentimental desse jeito.
— O-o que está acontecendo? — ele perguntou. — Nós chegamos?
— Não — ela disse, com a voz baixa. — Estamos no meio da noite.
— Você quer dizer... — o coração de Percy começou a acelerar.
Ele percebeu que estava de pijama, na cama. Provavelmente tinha estado babando ou pelo menos fazendo sons estranhos em quanto sonhava. Sem dúvida ele estava com o cabelo bagunçado pelo travesseiro e seu hálito não estava nada bom.
— Você se esgueirou até minha cabine?
Annabeth rolou os olhos.
— Percy, você vai fazer 17 anos em dois meses. Você não pode, nem de brincadeira, estar preocupado em entrar em problemas com o Treinador Hedge.
— Ah, você já viu o taco de beisebol dele?
— Além disso, Cabeça de Alga, eu apenas pensei em dar uma caminhada. Nós não tivemos nenhum tempo para ficar sozinhos. Eu quero te mostrar uma coisa... meu lugar favorito no navio.
Os batimentos de Percy ainda estavam acelerados, mas não era de medo de entrar em problemas.
— Eu posso, você sabe, escovar meus dentes primeiro?
— É melhor mesmo — Annabeth disse. — Porque eu não vou te beijar até você fazer isso. E penteie o seu cabelo enquanto estiver no banheiro.


Para um trirreme, o navio era enorme, mas ele ainda parecia acolhedor para Percy – como seu dormitório na Academia Yancy, ou qualquer um dos internatos de onde ele havia sido chutado. Annabeth e ele rastejaram para o andar de baixo até o segundo convés, o qual Percy ainda não havia explorado, exceto pela enfermaria.
Ela o levou até depois da sala do motor que parecia muito perigosa, uma selva mecânica, com tubos, pistões e mais tubos saindo de uma esfera de bronze central. Cabos que lembravam um macarrão para gigantes serpenteavam pelo chão e subiam paredes acima.
— Como aquela coisa pode funcionar? — Percy perguntou.
— Não faço ideia — Annabeth disse. — E eu sou a única além do Leo que pode operá-lo.
— Isso é reconfortante.
— Deve ficar bem. Só ameaçou explodir uma vez.
— Você está brincando, eu espero.
Ela sorriu.
— Venha.
Eles foram andando até passarem pela sala de suprimentos e a sala de armas. À popa do navio, eles chegaram a um conjunto de portas duplas de madeira que se abriam para um grande estábulo. A sala cheirava a feno fresco e cobertores de lã. Alinhadas na parede esquerda estavam três baias vazias como as que eram utilizadas para pégasos no acampamento. Na parede direita haviam duas gaiolas vazias grandes o bastante para animais de zoológico.
No centro do piso havia um painel de vidro de 20 metros quadrados. Bem abaixo, a paisagem noturna se estendendo por quilômetros de campos escuros cortados por rodovias iluminadas como os fios de uma teia de aranha.
— Um barco com fundo de vidro? — Percy perguntou.
Annabeth pegou um cobertor perto da porta do estábulo e o estendeu sobre uma parte do chão de vidro.
— Senta comigo.
Eles relaxaram no cobertor como se estivessem em um piquenique e assistiram o mundo passar abaixo.
— Leo construiu o estábulo para que pégasos pudessem ir e vir facilmente — Annabeth explicou. — Só que eles preferem vaguear livre, então os estábulos estão sempre vazios.
Percy imaginou onde Blackjack estava – vagando livre nos céus em algum lugar, esperançosamente seguindo o progresso deles. A cabeça de Percy ainda latejava por causa do coice de Blackjack, mas ele não culpava o cavalo.
— O que você quer dizer com ir e vir facilmente? — ele perguntou. — Os pégasos não tem que descer dois lances de escadas?
Annabeth bateu no vidro com os nós dos dedos.
— Estas são portas de compartimento.
Percy engoliu em seco.
— Você quer dizer que estamos sentados em portas? E se elas abrirem?
— Eu suponho que nós cairíamos para nossas mortes. Mas elas não vão abrir. Tenho quase certeza.
— Ótimo.
Annabeth riu.
— Você sabe porque eu gosto daqui? Não é só pela vista. O que esse lugar te lembra?
Percy olhou em volta: as gaiolas e estábulos, lanterna de bronze celestial pendurada em uma viga, o cheiro de feno e, é claro, Annabeth sentando perto dele, seu rosto fantasmagórico e lindo na aconchegante luz âmbar.
— O caminhão do zoológico — Percy decidiu. — Aquele que nós pegamos para Las Vegas.
O sorriso dela disse que ele tinha acertado.
— Aquilo foi há tanto tempo — Percy disse. — Nós estávamos acabados, lutando para atravessar o país para encontrar aquele raio estúpido, presos em um caminhão com um monte de animais maltratados. Como você pode se sentir nostálgica com isso?
— Porque, Cabeça de Alga, aquela foi a primeira vez que nós realmente conversamos, você e eu. Eu falei com você sobre minha família, e...
Ela tocou seu colar do acampamento, que tinha o anel de faculdade de seu pai e uma conta colorida para cada ano no Acampamento Meio-Sangue. Agora tinha mais alguma coisa na tira de couro: um pingente de coral vermelho que Percy tinha dado a ela quando eles começaram a namorar. Ele tinha trazido do palácio de seu pai no fundo do oceano.
— ... e — Annabeth continuou — isso me lembrou há quanto tempo nós nos conhecemos. Nós tínhamos 12 anos, Percy. Consegue acreditar nisso?
— Não — ele admitiu. — Então... você soube que gostava de mim desde aquele momento?
Ela sorriu.
— Primeiro eu odiava você. Você me irritava. Depois te tolerei por alguns anos. Depois...
— Ok, certo.
Ela se inclinou e o beijou. Um bom e adequado beijo, sem ninguém olhando – sem romanos em nenhum lugar, nem sátiros acompanhantes gritando.
Ela o empurrou.
— Eu senti sua falta, Percy.
Percy queria dizer a mesma coisa a ela, mas isso parecia um comentário muito pequeno. Enquanto ele tinha estado no lado romano, tinha se mantido vivo quase totalmente pensando em Annabeth. Eu senti sua falta realmente não dizia o bastante. Ele se lembrou mais cedo naquela noite quando Piper tinha forçado o eidolon a sair de sua mente. Percy não tinha notado a presença dele até ela usar seu charme. Depois que o eidolon tinha ido, sentiu como se um espinho quente tivesse sido retirado de sua testa.
Ele não tinha percebido com quanta dor estava até o espírito sair. Então seus pensamentos pareceram clarear. Sua alma se fixou confortavelmente em seu corpo. Ficar sentado ali com Annabeth o deixava da mesma maneira. Os últimos poucos meses podiam ser um de seus sonhos estranhos. Os acontecimentos no Acampamento Júpiter pareciam tão confusos e irreais quanto sua luta com Jason, quando eles dois haviam estado possuídos por eidolons.
Mesmo assim, ele não se arrependia do tempo em que ele passou no Acampamento Júpiter. Ele tinha aberto seus olhos de muitas maneiras diferentes.
— Annabeth — ele disse hesitante — em Nova Roma, semideuses podem viver sua vida toda em paz.
A expressão dela se tornou mais guardada.
— Reyna me explicou isso. Mas, Percy, você pertence ao Acampamento Meio-Sangue. Aquela outra vida...
— Eu sei — Percy disse. — Mas enquanto eu estava lá, vi tantos semideuses vivendo sem medo: crianças indo para o colégio, pessoas se casando e construindo famílias. Não há nada como isso no Acampamento Meio-Sangue. Eu continuo pensando sobre você e eu... e talvez um dia, quando essa guerra com os gigantes estiver acabada...
Era difícil de dizer na luz dourada, mas ele pensou que Annabeth estava corando.
— Ah — ela disse.
Percy estava com medo de ter dito muito. Talvez ele a tivesse assustado com seus grandes planos para o futuro. Era ela usualmente quem tinha os planos. Percy se amaldiçoou silenciosamente.
Tanto quanto conhecia Annabeth, ainda sentia que entendia muito pouco sobre ela. Mesmo depois de estarem namorando por muitos meses, o relacionamento deles tinha sempre parecido novo e delicado, como uma escultura de vidro. Ele morria de medo de fazer alguma coisa errada e ela acabar com ele.
— Desculpe-me — ele disse. — Eu só... Eu tinha que pensar assim para conseguir me manter. Para me dar esperança. Esqueça que eu mencionei...
— Não! — ela interrompeu. — Não, Percy. Deuses, isso é tão doce. É só que... Nós podemos ter queimado essa ponte. Se nós não pudermos reparar as coisas com os romanos... bem, os dois grupos de semideuses nunca se deram bem. É por causa disso que os deuses nos mantiveram separados. Eu não sei nem se nós poderíamos pertencer aquele lugar.
Percy não queria argumentar, mas não poderia deixar a esperança ir. Ele sentia como se isso fosse importante – não só para ele e Annabeth, mas também para todos os outros semideuses. Tinha que ser possível pertencer a dois mundos diferentes de uma vez.
Além de tudo, era isso que significava ser um semideus – não pertencer exatamente nem ao mundo mortal nem ao Monte Olímpo, mas tentar fazer com que as duas partes de sua natureza fiquem em paz.
Infelizmente, isso fez ele pensar sobre os deuses, a guerra que estavam enfrentando, e seu sonho sobre os gêmeos Efialtes e Oto.
— Eu estava tendo um pesadelo quando você me acordou — ele admitiu.
Ele contou a Annabeth o que ele tinha visto.
Mesmo as partes mais problemáticas não pareciam surpreendê-la. Ela balançou sua cabeça com tristeza quando ele lhe falou sobre Nico aprisionado no jarro de bronze. Ela ficou com um brilho zangado nos olhos quando ele lhe falou sobre o plano dos gigantes para algum tipo de destruição extravagante para Roma que incluiria uma morte dolorosa para eles como abertura.
— Nico é a isca — ela murmurou. — As forças de Gaia devem tê-lo capturado de algum modo. Mas nós não sabemos onde exatamente eles o têm preso.
— Em algum lugar de Roma — Percy disse. — Algum lugar no subsolo. Ele fizeram soar como se Nico ainda tivesse alguns dias de vida, mas não vejo como ele poderia aguentar tanto tempo sem oxigênio.
— Mais cinco dias, de acordo com Nêmesis — Annabeth disse. — As Calendas de Julho. Pelo menos o prazo final faz sentido agora.
— O que é uma Calenda?
Annabeth sorriu, como se ela estivesse agradecida que eles estivessem de volta ao seu velho e familiar padrão – Percy sendo ignorante e ela explicando coisas.
— É só o termo romano para o começo do mês. É de onde nós pegamos o calendário mundial. Mas como Nico pode sobreviver por tanto tempo? Nós deveríamos falar com a Hazel.
— Agora?
Ela hesitou.
— Não. Isso pode esperar até de manhã. Eu não quero acertá-la com isso no meio da noite.
— Os gigantes mencionaram uma estátua — Percy se lembrou.— E alguma coisa sobre uma amiga talentosa que a estava guardando. Quem quer que fosse essa amiga, ela assustava Oto. Qualquer um que possa assustar um gigante...
Annabeth ficou encarando uma rodovia que serpenteava abaixo entre morros escuros.
— Percy, você tem visto Poseidon ultimamente? Ou teve algum tipo de sinal dele?
Percy balançou a cabeça.
— Não desde... Uau. Eu acho que eu não tenho pensado sobre isso. Não desde o fim da Guerra contra os Titãs. Eu o vi no Acampamento Meio-Sangue, mas isso foi em agosto.
Uma sensação de pavor caiu sobre ele.
— Por quê? Você viu Atena?
Ela não o olhou nos olhos
— Há algumas semanas — ela confessou. — Isso... Isso não foi bom. Ela não parecia com ela mesma. Talvez seja a esquizofrenia grega/romana da qual Nêmesis falou. Eu não tenho certeza. Ela disse algumas coisas dolorosas. Disse que eu tinha falhado com ela.
— Falhado com ela? — Percy não tinha certeza se tinha ouvido direito. Annabeth era a semideusa perfeita. Ela era tudo o que uma filha de Atena deveria ser. — Como você poderia ter... ?
— Eu não sei — ela respondeu, triste. — Eu tenho tido meus próprios pesadelos. Eles não fazem mais sentido do que os seus.
Percy esperou, mas Annabeth não compartilhou mais nenhum detalhe. Ele queria fazê-la se sentir melhor e dizer que tudo ficaria bem, mas sabia que não podia. Queria consertar tudo para os dois terem então um final feliz. Depois de todos esses anos, mesmo os deuses mais cruéis tinham de admitir que eles mereciam. Mas ele tinha um pressentimento de que não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar Annabeth dessa vez, nada além de simplesmente estar ali. A filha da sabedoria caminha solitária.
Ele se sentiu com se estivesse preso e sem esperança como quando tinha caído no pântano.
Annabeth conseguiu dar um leve sorriso.
— Que noite romântica, né? Nada mais de coisas ruins até de manhã.
Ela beijou-o de novo.
— Nós vamos lidar com tudo isso. Eu tenho você de volta. Por enquanto, isso é tudo o que importa.
— Certo — Percy disse. — Nada mais de conversar sobre a ascensão de Gaia, Nico sendo mantido como refém, o fim do mundo, os gigantes...
— Cala a boca, Cabeça de Alga — ela ordenou. — Só me abrace por um tempo.
Eles se sentaram juntos abraçados, aproveitando o calor um do outro. Antes que Percy percebesse, o zumbido do motor do navio, a luz fraca e sentimento confortável de estar com Annabeth fez seus olhos ficarem pesados e ele pegou no sono.
Quando ele acordou, a luz do dia estava entrando através do chão de vidro e uma voz de garoto disse:
— Ah... Vocês estão com um problemão.