quinta-feira, 17 de outubro de 2013

LII - Leo






LEO AINDA ESTAVA EM CHOQUE. Tudo aconteceu tão rapidamente. Eles haviam salvado a Atena Partenos justamente quando o piso cedeu e as últimas colunas de teias romperam. Jason e Frank mergulharam para salvar os outros, mas eles só encontraram Nico e Hazel pendurados na escada de corda. Percy e Annabeth se foram. O abismo para o Tártaro tinha sido enterrado sob várias toneladas de detritos. Leo puxou o Argo II para fora das cavernas segundos antes de todo o lugar implodir, levando o resto do estacionamento com ele.
O Argo II estava agora estacionado em uma colina com vista para a cidade. Jason, Hazel e Frank tinham voltado à cena da catástrofe, esperando escavar os escombros e encontrar uma maneira de salvar Percy e Annabeth, mas voltaram desmoralizados. A caverna simplesmente havia desaparecido. O cenário estava fervilhando com a polícia e equipes de resgate. Nenhum mortal tinha sido ferido, mas os italianos iriam coçar a cabeça por meses se perguntando como um ralo enorme tinha aberto bem no meio de um parque de estacionamento, engolindo uma dúzia de carros perfeitamente bons.
Atordoado com a dor, Leo e os outros cuidadosamente carregaram a Atena Partenos para o porão, utilizando guinchos hidráulicos do navio com uma assistência de Frank Zhang, no momento um elefante. A estátua encaixou precisamente, mas o que eles iam fazer com ela, Leo não tinha ideia.
O Treinador Hedge estava muito deprimido para ajudar. Ele continuou andando pela plataforma com lágrimas nos olhos, puxando o cavanhaque e batendo a lateral de sua cabeça, murmurando:
— Eu deveria tê-los salvo! Eu deveria ter explodido mais coisas!
Finalmente, Leo lhe disse para ir abaixo do convés e assegurar que tudo estava seguro para a partida. De nada adiantava ele ficar se batendo. Os seis semideuses se reuniram no convés e olharam para a coluna de poeira distante que ainda pairava no local da implosão. Leo colocou a mão na esfera de Arquimedes, que agora estava em cima do leme, pronta para ser instalada. Ele deveria estar animado. Era a maior descoberta de sua vida, ainda maior que o Bunker 9. Se pudesse decifrar os pergaminhos de Arquimedes, poderia fazer coisas incríveis. Ele mal se atreveu a ter esperança, mas poderia até ser capaz de construir um novo disco de controle para um certo amigo dragão dele.
Ainda assim, o preço tinha sido alto demais.
Ele quase podia ouvir Nêmesis rindo. Eu disse que poderíamos fazer um acordo, Leo Valdez.
Ele abriu o biscoito da sorte. Tinha recebido o código de acesso para a esfera e salvado Frank e Hazel. Mas o sacrifício tinha sido Percy e Annabeth. Leo tinha certeza disso.
— A culpa é minha — disse miseravelmente.
Os outros olharam para ele. Somente Hazel pareceu entender. Ela tinha estado com ele em Great Salt Lake.
— Não — ela insistiu. — Não, isso é culpa de Gaia. Não teve nada a ver com você.
Leo queria acreditar nisso, mas ele não podia. Eles começaram esta viagem com Leo estragando tudo, atirando em Nova Roma. Haviam terminado na Roma Antiga com Leo quebrando um biscoito e pagando um preço muito pior do que um olho.
— Leo, me escute — Hazel agarrou sua mão. — Eu não vou permitir que você assuma a culpa. Eu não posso suportar isso, após... Após Sammy...
Ela engasgou, mas Leo sabia o que ela queria dizer. Seu bisabuelo tinha se culpado pelo desaparecimento de Hazel. Sammy tinha vivido uma boa vida, mas ele tinha ido para o túmulo acreditando que tinha gastado um diamante amaldiçoado e condenado a garota que amava.
Leo não queria deixar Hazel infeliz novamente, mas isso era diferente. O verdadeiro sucesso requer sacrifício. Leo tinha escolhido quebrar esse biscoito. Percy e Annabeth tinham caído no Tártaro. Isso não poderia ser uma coincidência.
Nico di Angelo arrastou os pés, apoiado em sua espada negra.
— Leo, eles não estão mortos. Se estivessem, eu poderia sentir.
— Como você pode ter certeza? — Leo perguntou. — Se este poço realmente leva ao... Você sabe... Como você pode senti-los de tão longe?
Nico e Hazel trocaram um olhar, talvez comparando informações em seus radares de Hades/Plutão que captam a morte. Leo estremeceu. Hazel nunca tinha parecido uma criança do Mundo Inferior para ele, mas Nico di Angelo... este cara era assustador.
— Não podemos ter cem por cento de certeza — Hazel admitiu. — Mas acho que Nico está certo. Percy e Annabeth ainda estão vivos... Pelo menos, até agora.
Jason bateu com o punho contra o parapeito.
— Eu deveria ter prestado atenção. Eu poderia ter voado e tê-los salvo.
— Eu também — Frank gemeu.
O grandalhão parecia à beira das lágrimas.
Piper colocou a mão nas costas de Jason.
— Não é culpa sua, de nenhum de vocês. Vocês estavam tentando salvar a estátua.
— Ela está certa — disse Nico. — Mesmo se o abismo não tivesse sido enterrado, você não poderia ter voado para ele sem ser puxado para baixo. Eu sou o único que foi realmente ao Tártaro. É impossível de descrever o quão poderoso o lugar é. Uma vez que se chega perto, você é sugado para dentro. Eu não tive chance alguma.
Frank fungou.
— Então Percy e Annabeth não tem chance também?
Nico torceu o anel prata de caveira.
— Percy é o semideus mais poderoso que eu já conheci. Sem ofensas a vocês, mas é verdade. Se alguém pode sobreviver, será ele, especialmente com Annabeth ao seu lado. Eles vão encontrar um caminho através do Tártaro.
Jason virou.
— Para as Portas da Morte, você quer dizer. Mas você nos disse que é guardada pelas forças mais poderosas de Gaia. Como poderiam dois semideuses possivelmente...
— Eu não sei — admitiu Nico. — Mas Percy me disse para levar vocês para Épiro, o lado mortal da porta. Ele está pensando em nos encontrar lá. Se pudermos sobreviver a Casa de Hades, percorrer o caminho através das forças de Gaia, então talvez possamos trabalhar em conjunto com Percy e Annabeth e lacrar as Portas da Morte de ambos os lados.
— E resgatar Percy e Annabeth de volta em segurança? — Leo perguntou.
— Talvez.
Leo não gostou da forma como Nico disse isso, como se ele não estivesse compartilhando todas as suas dúvidas. Além disso, Leo sabia um pouco sobre fechaduras e portas. Se as Portas da Morte precisavam ser seladas dos dois lados, como eles poderiam fazer isso a menos que alguém ficasse preso no Mundo Inferior?
Nico respirou fundo.
— Eu não sei como eles vão lidar com isso, mas Percy e Annabeth encontrarão um jeito. Eles vão viajar pelo Tártaro e encontrarão as Portas da Morte. Quando o fizerem, nós temos que estar prontos.
— Não vai ser fácil — disse Hazel. — Gaia vai enviar tudo o que ela tem atrás da gente para nos impedir de chegar a Épiro.
— Qual a novidade? — Jason suspirou.
Piper assentiu.
— Nós não temos escolha. Temos que selar as Portas da Morte antes de tentarmos impedir os gigantes de acordar Gaia. Caso contrário, seus exércitos nunca morrerão. E nós temos que nos apressar. Os romanos estão em Nova York. Em breve, eles marcharão para o Acampamento Meio-Sangue.
— Temos um mês, na melhor das hipóteses — Jason acrescentou. — Efialtes disse que Gaia iria despertar em exatamente um mês.
Leo endireitou-se.
— Nós podemos fazer isso.
Todos olharam para ele.
— A esfera de Arquimedes pode atualizar o navio — ele falou, esperando que estivesse certo. — Eu irei estudar esses pergaminhos antigos que temos. Devem conter todos os tipos de novas armas que eu posso fazer. Nós vamos bater exércitos de Gaia com um arsenal inteiramente novo de dor.
Na proa do navio, Festus rangeu sua mandíbula e soprou fogo desafiadoramente. Jason conseguiu esboçar um sorriso. Ele bateu no ombro de Leo.
— Soa como um plano, capitão. Você deseja definir o destino?
Eles brincavam com ele, chamando-o de capitão, mas pela primeira vez, Leo aceitou o título. Este era o seu navio. Ele não tinha chegado tão longe para ser impedido. Eles iriam encontrar essa tal Casa de Hades. Eles tomariam as Portas da Morte. E pelos deuses, se Leo tivesse que projetar um braço longo o suficiente para agarrar e arrebatar Percy e Annabeth do Tártaro, então isso é o que ele faria.
Nêmesis queria que ele se vingasse de Gaia? Leo estava feliz em fazer isso. Ele iria fazer Gaia se arrepender de alguma vez ter mexido com Leo Valdez.
— Sim — ele deu um último olhar para a arquitetura da cidade de Roma que se tornava vermelho-sangue ao pôr do sol. — Festus, levantar as velas. Temos alguns amigos para salvar.