quinta-feira, 17 de outubro de 2013

XLVI - Percy






AS COISAS FICARAM RUINS IMEDIATAMENTE. Os gigantes desapareceram em um sopro de fumaça. Eles reapareceram no meio da sala, cada um em um lugar diferente. Percy correu em direção a Efialtes, mas os alçapões no chão abriram-se e muros de metal apareceram dos dois lados, separando-o de seus amigos.
As paredes começaram a se fechar em torno dele, como uma videira. Percy pulou e agarrou a parte de baixo da gaiola da hidra. Ele teve um breve relance de Piper pulando em uma amarelinha de poços de fogo, fazendo seu caminho em direção a Nico, que estava em estado de torpor e desarmado, sendo atacado por um par de leopardos.
Enquanto isso, Jason atacou Oto, que puxou sua lança e soltou um grande suspiro, como se ele preferisse dançar O lago dos cisnes a matar outro semideus.
Percy registrou tudo isso em um segundo, mas não havia muito que ele pudesse fazer sobre a situação. A gaiola da hidra sumiu de suas mãos. Ele balançou e caiu, aterrissando em um bosque de árvores com madeiras pintadas que surgiram do nada. As árvores mudaram de posição assim que ele tentou correr através delas, então ele cortou toda a floresta com Contracorrente.
— Maravilha! — Efialtes se emocionou. Ele ficou em seu painel de controle, una sessenta metros a direita de Percy. — Nós vamos considerar isso um ensaio geral. Devo soltar a hidra na Praça da Espanha agora?
Ele puxou uma alavanca e Percy olhou para trás. A gaiola em que ele tinha acabado de se pendurar estava agora subindo em direção a uma escotilha no teto. Em três segundos, ela seria liberada. Se Percy atacasse o gigante, a hidra devastaria a cidade. Xingando, ele lançou Contracorrente como um bumerangue. A espada não foi projetada para isso, mas a lâmina de Bronze Celestial cortou as correntes que suspendiam a hidra. A gaiola tombou de lado. A grade quebrada abriu-se e derramou o monstro justo em frente à Percy.
— Oh, você é um estraga prazeres, Jackson! — Efialtes berrou. — Muito bem. Batalhe aqui, se for preciso, mas a sua morte não será tão boa sem uma multidão aplaudindo.
Percy avançou para enfrentar o monstro, então percebeu que tinha acabado de jogar sua arma fora. Um pouco de mau planejamento de sua parte.
Ele rolou para um lado enquanto as oito cabeças da hidra cuspiam ácido, transformando o chão onde ele estava em uma cratera fumegante de pedra derretida. Percy realmente odiava hidras. Era quase uma coisa boa que ele houvesse perdido sua espada, visto que seu instinto teria sido cortar as cabeças – e no lugar, a hidra faria crescer duas novas cabeças para cada uma que tivesse sido cortada.
Na última vez que ele havia enfrentado uma hidra, ele foi salvo por um navio com canhões de Bronze Celestial que partiram o monstro em pedaços. Essa estratégia não poderia ajudá-lo agora... Ou poderia?
A hidra atacou. Percy abaixou-se atrás de uma enorme roda de hamster e examinou atentamente a sala, procurando pelas caixas que ele havia visto em seu sonho. Ele se lembrou de alguma coisa sobre lançadores de foguetes.
No estrado, Piper protegia Nico enquanto os leopardos avançavam. Ela apontou sua cornucópia e atirou uma carne assada além da cabeça dos felinos. Aquilo devia cheirar muito bem, porque os leopardos correram atrás dela.
Mais ou menos dois metros e meio à direita de Piper, Jason batalhava com Oto, espada contra lança. Oto tinha perdido sua tiara de diamantes e parecia com raiva por isso. Ele poderia ter empalado Jason por várias vezes, mas o gigante insistia em fazer uma pirueta em cada ataque, o que o retardou.
Entretanto, Efialtes ria enquanto apertava botões em seu painel de controle, acionando a correia transportadora em alta velocidade e abrindo gaiolas de animais aleatoriamente.
A hidra deu a volta na roda de hamster. Percy balançou por trás de uma coluna, agarrou um saco de lixo cheio de pão de forma e jogou no monstro. A hidra cuspiu ácido, o que foi um erro. O saco e seu conteúdo dissolveram no ar. O pão de forma absorveu o ácido como espuma de extintor de incêndio e bateu contra a hidra, transformando-a numa nojenta e fumegante camada de alta caloria de gosma venenosa.
Enquanto o monstro cambaleou, balançando suas cabeças e piscando pão ácido para fora de seus olhos, Percy olhou ao redor, desesperado. Ele não encontrou a caixa de lançador de foguetes mas, enfiado contra a parte de trás da sala, estava uma estranha geringonça como um cavalete de pintura, dividida ao meio com uma fileira de lançadores de míssil.
Percy viu uma bazuca, um lançador de granadas, uma vela romana gigante e uma dúzia de outras armas mal encaradas. Elas todas pareciam estar ligadas juntas, apontadas para a mesma direção e conectadas com uma única alavanca de bronze ao lado. No topo do cavalete, escrito com cravos, estava: Feliz destruição, Roma!
Percy disparou em direção ao dispositivo. A hidra sibilou e o seguiu.
— Eu sei! — Efialtes chorou nada feliz. — Nós podemos começar com explosões ao longo da Via Labicana! Nós não podemos deixar nosso público esperando eternamente.
Percy mexeu atrás do cavalete e voltou-o para Efialtes. Ele não tinha a habilidade para máquinas de Leo, mas sabia como atirar com uma arma. A hidra barrou em sua direção, bloqueando sua vista do gigante. Percy esperava que a geringonça pudesse ter força de fogo o suficiente para que derrubasse dois alvos de uma só vez. Ele puxou a alavanca. Ela não se moveu.
Todas as oito cabeças da hidra pairavam sobre ele, prontas para derretê-lo em uma piscina de lodo. Ele puxou a alavanca novamente. Dessa vez, o cavalete se sacudiu e começou a assobiar.
— Esconder e proteger! — Percy gritou, esperando que seus amigos entendessem a mensagem.
Percy saltou para um lado do cavalete em chamas. O som foi como uma festa no meio da explosão de uma fábrica de pólvora. A hidra vaporizou instantaneamente. Infelizmente, o ferrolho bateu ao lado do cavalete e mandou mais projéteis por toda a sala. Uma parte do teto foi atingido e quebrou um pedaço de uma roda hidráulica. Mais gaiolas foram arrebentadas de suas correntes, liberando duas zebras e um bando de hienas. Uma granada explodiu sobre a cabeça de Efialtes, mas isso só o desequilibrou. O painel de controle sequer pareceu estragado.
Do outro lado da sala, sacos de areia choviam ao redor de Piper e Nico. Piper tentou puxar Nico para um lugar seguro, mas um dos sacos a pegou no ombro e a derrubou.
— Piper! — Jason chamou. Ele correu em direção a ela, completamente esquecido de Oto, que mirou sua lança nas costas de Jason.
— Cuidado! — gritou Percy.
Jason teve reflexos rápidos. Assim que Oto jogou a lança, Jason rolou. A lança passou por cima dele e Jason sacudiu suas mãos, convocando uma rajada de vento que mudou a direção da lança. Ela voou pela sala e espetou Efialtes na sua lateral, justo quando ele ficava de pé novamente.
— Oto! — Efialtes tropeçou para longe do seu painel de controle, agarrando a lança quando ele começava a se desfazer em poeira de monstro. — Você poderia, por favor, parar de me matar!
— Não foi minha culpa!
Oto tinha acabado de falar quando a engenhoca lançadora de míssil de Percy cuspiu uma última esfera de fogos de artifício. A fumegante bola rosa da morte (naturalmente, ela tinha que ser rosa) atingiu o teto acima de Oto e explodiu em uma bonita chuva de luz, cheia de cores ao redor do gigante. Então uma parte do teto de dez metros de diâmetros caiu, atingindo-o.
Jason correu para o lado de Piper. Ela ganiu quando ele tocou em seu braço. Seu ombro parecia estranhamente dobrado, mas ela murmurou:
— Tudo bem, eu estou bem — próximo a ela, Nico sentou-se, olhando ao redor atordoado, como se tivesse acabado de perceber que havia perdido a batalha.
Infelizmente, os gigantes não tinham terminado. Efialtes estava ainda se reformando, sua cabeça e ombros crescendo do monte de poeira. Ele liberou seus braços e olhou furiosamente para Percy.
Ao longo da sala, a pilha de cascalho se deslocou e Oto surgiu. Sua cabeça estava meio desmoronada. Todos os fogos de artifício em seu cabelo estalaram e suas tranças soltavam fumaça. Seu collant estava em farrapos, e esse era o único jeito daquilo parecer menos atraente nele.
— Percy! — Jason gritou. — Os controles!
Percy descongelou. Ele achou Contracorrente em seu bolso de novo, destampou sua espada e se lançou para o quadro de controle. Ele cortou com sua lâmina, destruindo o centro com um banho de fogos de bronze.
— Não! — Efialtes gemeu. — Você arruinou o espetáculo!
Percy se virou muito lentamente. Efialtes balançou a sua lança com um bastão e o acertou no peito. Ele caiu de joelhos, a dor transformando sua barriga em fogo.
Jason correu para seu lado, mas Oto atravancou atrás dele. Percy conseguiu se erguer e se pôs ombro a ombro com Jason. Sobre o estrado, Piper estava ainda no chão, incapaz de se levantar. Nico estava vagamente consciente.
Os gigantes estavam se curando, ficando mais fortes a cada minuto. Percy não.
Efialtes sorriu se desculpando.
— Cansado, Percy Jackson? Como eu disse, você não pode nos matar. Então, acho que nós chegamos a um impasse. Oh, espere... Não, nós não chegamos! Porque nós podemos matar vocês!
— Essa — Oto resmungou, pegando sua lança caída — foi a primeira coisa sensata que você disse o dia todo, irmão.
Os gigantes apontaram suas armas, prontos para transformar Percy e Jason em kebabs de semideuses.
— Nós não vamos desistir — Jason disse. — Nós vamos cortar vocês em pedaços assim como Júpiter fez com Saturno.
— É isso aí — Percy confirmou. — Vocês dois estão mortos. Eu não ligo se nós temos deuses do nosso lado ou não.
— Bem, isso é uma pena — falou uma nova voz.
Ao seu lado direito, outra plataforma baixou do telhado. Inclinando-se casualmente em um apoio coberto de pinhões, estava um homem com uma blusa roxa de acampamento, shorts cáqui e sandálias com meias brancas. Ele levantou seu chapéu de abas largas e uma chama roxa flamejou em seus olhos.
— Eu odiaria pensar que fiz uma viagem especial por nada.